No Reino da Palavra...

- Não grite.
Não permita que o seu modo de falar se
transforme em agressão.

- Conserve a calma.
Ao falar, evite comentários ou imagens
contrárias ao bem.

- Evite a maledicência.
Trazer assuntos infelizes à conversação,
lamentando ocorrências que já se foram, é requisitar
a poeira de caminhos já superados,
complicando paisagens alheias.

- Abstenha-se de todo adjetivo desagradável
para pessoas, coisas e circunstâncias.
Atacar alguém será destruir hoje o nosso
provável benfeitor de amanhã.

- Use a imaginação sem excesso.
Não exageres sintomas ou deficiências
com os fracos ou doentes, porque isso viria
fazê-los mais doentes e mais fracos.

- Responda serenamente em toda questão difícil.
Na base da esperança e bondade,
não existe quem não possa ajudar conversando.

- Guarde uma frase sorridente e amiga para
toda situação inevitável.
Da mente aos lábios, temos um trajeto
controlável para as nossas manifestações.

- Fuja a comparações, a fim de que seu
verbo não venha a ferir.
Por isso, tão logo a idéia negativa nos alcance
a cabeça, arredemo-la, porque um pensamento
pode ser substituído, de imediato, no silêncio
do espírito, mas a palavra solta é sempre um
instrumento ativo em circulação.

Recorde que Jesus legou o Evangelho,
exemplificando, mas conversando também.
ANDRÉ LUIZ



Distribui sorrisos e palavras de amor aos irmãos algemados a
rudes provas como se os visses falando por teus lábios, e
atravessarás os dias de tristeza ou de angústia com a luz da
esperança no coração, caminhando, em rumo certo, para o
reencontro feliz com todos eles, nas bênçãos de Jesus, em plena
imortalidade.

(Emmanuel).

terça-feira, 19 de maio de 2015

Jesus, Kardec e Nós




E - Cap. XVII - Item 8

Se Jesus considerasse a si mesmo puro demais, a ponto de não tolerar o contato das fraquezas humanas; se acreditasse que tudo deve correr por conta de Deus; se nos admitisse irremediavelmente perdidos na rebeldia e na delinqüência; se condicionasse o desempenho do seu apostolado ao apoio dos homens mais cultos; se aguardasse encosto dinheiroso e valimento político a fim de realizar a sua obra ou se recuasse, diante do sacrifício, decerto não conheceríamos a luz do Evangelho, que nos descerra o caminho à emancipação espiritual. °°° Se Allan Kardec superestimasse a elevada posição que lhe era devida na aristocracia da inteligência, colocando honras e títulos merecidos, acima das próprias convicções; se permanecesse na expectativa da adesão de personalidade ilustres à mensagem de que se fazia portador; se esperasse cobertura financeira para atirar-se à tarefa; se avaliasse as suas dificuldades de educador, com escasso tempo par esposar compromissos diferentes do magistério ou se retrocedesse, perante as calúnias e injúrias que lhe inçaram a estrada, não teríamos a codificação da doutrina Espírita, que complementa o Evangelho, integrando-nos na responsabilidade de viver. °°° Refletindo em Jesus e Kardec, ficamos sem compreender a nossa inconseqüência, quando nos declaramos demasiadamente virtuosos, ocupados, instruídos, tímidos , incapazes ou desiludidos para atender às obrigações que nos cabem na Doutrina Espírita. Isso porque se eles - o Mestre e o Apóstolo da renovação humana - passaram entre os homens, sofrendo dilacerações e exemplificando o bem, por amor à verdade, quando nós - consciências endividadas, fugimos de aprender e servir, em proveito próprio, indiscutivelmente, estaremos sem perceber, sob a hipnose da obsessão oculta, carregando equilíbrio por fora e loucura por dentro.

Traço Espírita



TRAÇO ESPÍRITA 

E - Cap.XVII - Item 7


O companheiro, contado na estatística da Nova Revelação, não pode viver de modo diferente dos outros, no entanto, é convidado pela consciência a imprimir o traço de sua convicção espírita em cada atitude. Trabalha - não ao jeito de pião consciente enrolado ao cordel da ambição desregrada, aniquilando-se sem qualquer proveito. Age construindo. Ganha - não para reter o dinheiro ou os recursos da vida na geladeira da usura. Possui auxiliando. Estuda - não para converter a personalidade num cabide de condecorações acadêmicas sem valor para a humanidade. Aprende servindo. Prega - não para premiar-se em torneios de oratória e eloqüência, transfigurando a tribuna em altar de suposto endeusamento. Fala edificando. Administra - não para ostentar-se nas galerias do poder, sem aderir à responsabilidade que lhe pesa nos ombros. Dirige obedecendo. Instrui - não para transformar os aprendizes em carneiro destinados à tosquia constante, na garantia de propinas sociais e econômicas. Ensina exemplificando. Redige - não para exibir a pompa do dicionário ou render homenagens às extravagâncias de escritores que fazem da literatura complicado pedestal para o incenso a si mesmos. Escreve enobrecendo. Cultiva a fé - não com o intento pretensioso de escalar o céu teológico pelo êxtase inoperante, na falsa idéia de caprichos e privilégios. Crê realizando. O espírita vive como vivem os outros, mas em todas as manifestações da existência é chamado a servir aos outros, através da atitude.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Examinemos a nós mesmo



Livro dos Espíritos 
Questão 919

O dever do espírita-cristão é tornar-se progressivamente melhor. Útil, assim, verificar, de quando em quando, com rigoroso exame pessoal, a nossa verdadeira situação íntima. Espírita que não progride durante três anos sucessivos permanece estacionário. Testa a paciência própria:
 - Estás mais calmo, afável e compreensivo? Inquire as tuas relações na experiência doméstica: 
- Conquistaste mais alto clima de paz dentro de casa? Investiga as atividades que te competem no templo doutrinário:
 - Colaboras com mais euforia na seara do Senhor? Observa-te nas manifestações perante os amigos: 
- Trazes o Evangelho mais vivo nas atitudes? Reflete em tua capacidade de sacrifício: 
- Notas em ti mesmo mais ampla disposição de servir voluntariamente? Pesquisa o próprio desapego: 
- Andas um pouco mais livre do anseio de influência e de posses terrestres? Usas mais intensamente os pronomes "nos", "nosso" e "nossa" e menos os determinativos "eu", "meu" e "minha"? Teus instantes de tristeza ou de cólera surda, às vezes tão conhecidos somente por ti, estão presentemente mais raros? Diminuíram-te os pequenos remorsos ocultos no recesso da alma? Dissipaste antigos desafetos e aversões? Superastes os lapsos crônicos de desatenção e negligência? Estudas mais profundamente a Doutrina que professas? Entendes melhor a função da dor? Ainda cultivas alguma discreta desavença? Auxilias aos necessitados com mais abnegação? 6 Tens orado realmente? Teus idéias evoluíram? Tua fé raciocinada consolidou-se com mais segurança? Tens o verbo mais indulgente, os braços mais ativos e as mãos mais abençoadoras? Evangelho é alegria no coração: 
- Estás, de fato,mais alegre e feliz intimamente, nestes três últimos anos? Tudo caminha! Tudo evolui! Confiramos o nosso rendimento individual com o Cristo! Sopesa a existência hoje, espontaneamente, em regime de paz, para que te não vejas na obrigação de sopesá-la amanhã sob o impacto da dor. Não te iludas! Um dia que se foi é mais uma cota de responsabilidade, mais um passo rumo à Vida Espiritual, mais uma oportunidade valorizada ou perdida. Interroga a consciência quanto à utilidade que vens dando ao tempo, à saúde e aos ensejos de fazer o bem que desfrutas na vida diária. Faze isso agora, enquanto te vales do corpo humano, com a possibilidade de reconsiderar diretrizes e desfazer enganos facilmente, pois, quando passares para o lado de cá, muita vez, já será mais difícil..

Espiritismo nas Opiniões




Quanto mais se agiganta a evolução na Terra, mais amplos se fazem os órgãos informativos. Em todos os lugares, autoridades pesquisam, confrontam, observam, conjeturam, e no fundo, é sempre o esclarecimento que surge, através da síntese, auxiliando o homem a escolher caminhos e selecionar atitudes. Serviços, ajustes, descobertas, fenômenos e técnicas, nos mais remotos setores do Planeta, pela força do livro e da escola, da imprensa e do rádio, da televisão e do cinema, entram nas interpretações da propaganda, sugerindo preceitos ou traçando soluções. Justa, dessa forma, a iniciativa de trazer a Doutrina Espírita à concorrência honesta das normas que as religiões e as filosofias apresentam às criaturas, no sentido de lhes facilitar a existência. Os espíritas, em todos os quadrantes da atividade terrestre, podem esculpir, sobretudo, nas próprias ações, o conceito espírita que lhes dirige as convicções. Certo, ao temos receitas de felicidade ilusória para dar e nem sabemos, rebaixar o céu ao nível do chão, mas dispomos dos recursos precisos à construção da felicidade e do céu, no reino interior pelo trabalho e pelo estudo, no auto-aperfeiçoamento. Aos que se mostrem decididos à realização espírita pelos testemunhos de Espiritismo realizado, convidamos à meditação no ensinamento libertador de Allan Kardec, sob a inspiração do Cristo, a fim de que possamos edificar a influência espírita, nos mecanismos do progresso e da cultura, não só para que o Espiritismo palpite, vibrante, no parque de opiniões da vida moderna, mas também para que as opiniões do Espiritismo sejam, lidas em nós. 

ANDRÉ LUIZ 
Uberaba, 2 de julho de 1963. ( Página recebido pelo médium Waldo Vieira )

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Auto Aperfeiçoamento








AUTO-APERFEIÇOAMENTO

Por Lúcio Roca Bragança

1. INTRODUÇÃO


O auto-aperfeiçoamento é o caminho que seguimos no estudo da doutrina espírita. O objetivo deste caminho é alcançar a nossa auto-realização, a consecução das nossas potencialidades de espíritos criados simples e ignorantes, mas plenamente perfectíveis[1]. Essa capacidade de nos auto-aperfeiçoarmos, de realizarmos uma mudança pessoal, é uma característica inerente à nossa condição de espíritos e possui tanto uma dimensão de consolação, como de comprometimento, pois, se é verdade que a mudança é possível – e as situações negativas são impermanentes – não é menos verdade que ela nos demanda esforço, disciplina e dedicação.
Esse primeiro aspecto é especialmente relevante: o autoaperfeiçoamento é possível – nós temos a capacidade de mudar – de modo que inexiste razão para julgarmos fixados em determinado estágio evolutivo. Se a mudança não fosse factível, Jesus não teria encarnado na Terra, nem pregado o Evangelho – seria uma tarefa inútil. Notadamente, na tradição sinóptica, a primeira atividade pública do Mestre foi dizer que o Reino de Deus está próximo,[2] ou seja, que ele pode ser alcançado, e, na tradição Joanina, foi a transformação de água em vinho[3]. A questão chegou a ser expressamente dita por Jesus, quando afirmou, no sermão da Montanha, “sede perfeitos”[4].
Já o segundo aspecto possui também grande relevância: é preciso saber o que fazer para alcançar a auto-realização; doutro modo, nossos esforços podem ser hercúleos e vãos – ou, no mínimo, desnecessariamente sofridos e vagarosos.
Neste passo, o presente trabalho pretende abordar o tema do auto-aperfeiçoamento sob o prisma da doutrina espírita, iniciando-se exatamente do ponto de partida, isto é, do estágio em que nos encontramos agora e no que consistem os obstáculos que dificultam o nosso progresso. Numa segunda etapa, examinamos qual é o caminho a ser seguido para alcançarmos a auto-perfeição e, por fim, as conclusões finais.

2. PONTO DE PARTIDA (SITUAÇÃO ATUAL)

1) Intróito

Há duas frases de Emmanuel que denotam de modo muito rico o ponto em que nos encontramos:

"Nossos pensamentos são paredes em que nos enclausuramos ou asas com que progredimos na ascese"[5].

"Presos ao labirinto criado por nós mesmos, eis­nos a reclamar o auxílio do Divino Mestre".[6]

O que há de notável nestas frases é que ambas fazem referência ao fato de estarmos presos e sermos nós mesmos os responsáveis por essa prisão. O aspecto da prisão é apenas uma parte de uma realidade mais ampla: não é apenas a nossa liberdade que é cerceada pelo nosso modo de operar a mente, mas a nossa própria realidade é construída pelo teor de nossos pensamentos, a ponto de podermos criar um mundo infernal ou celestial, como fica claro neste apontamento de André Luiz[7]:

“Os reflexos mentais, segundo a sua natureza, favorecem-nos a estagnação ou nos impulsionam a jornada para frente, porque cada criatura humana vive no céu ou no inferno que edificou para si mesma, nas reentrâncias do coração e da consciência, independentemente do corpo físico, porque, observando a vida em sua essência de eternidade gloriosa, a morte vale apenas como transição entre dois tipos da mesma experiência, no 'hoje imperecível'.”

Curial se faz, portanto, desvendar o processo de criação destas bolhas de realidade que criamos para nós e que podem resultar em um estado angustioso ou beatífico, o que nos propomos a fazer a partir do estudo de 3 capítulos do livro Nos Domínios da Mediunidade (Capítulos 7 a 9), através das realidades construídas por Libório, José Maria e Obsessor de Pedro.

2) Três Exemplos

No capítulo 7, temos a manifestação do espírito de Libório através da médium Eugênia, ocasião em que o desencarnado exterioriza seus pensamentos obsedantes pela mulher de sua paixão, chamada Sara. Destaca-se a seguinte frase[8]:

"Que irrisão! Não existem amigos quando a miséria está conosco... Dos companheiros que conheci, todos me abandonaram. Resta-me apenas Sara! Sara, que não deixarei..."

Já no capítulo 8, manifesta-se, através de Celina, o espírito de José Maria, antigo senhor de escravos desencarnado. Imerso em profundo desequilíbrio mental, fruto da crueldade com que tratava os cativos, expressa os seguintes termos[9]:

“Quem disse que a malfadada revolução dos franceses terá reflexos no Brasil? A loucura de um povo não pode alastrar-se a toda a Terra... Os privilégios dos nobres são invioláveis! Vêm dos reis, que são indiscutivelmente os escolhidos de Deus! Defenderemos nossas prerrogativas, exterminando a propaganda dos rebeldes e regicidas! Venderei meus escravos alfabetizados, nada de panfletos e comentários da rebelião. Como produzir sem o chicote no lombo? Cativos são cativos, senhores são senhores. E todos os fujões e criminosos conhecerão o peso dos meus braços... Matarei sem piedade. Cinco troncos de suplício! Cinco troncos! Eis aquilo de que necessito para refazer a nossa tranqüilidade.”

Por fim, o Capítulo 9 apresenta a história do obsessor de Pedro. Em sua última encarnação, Pedro fora seu irmão consanguíneo e, para seduzir a cunhada, fez internar o obsessor de hoje em um hospício, onde se quedou, aparvalhado até o desencarne. Desde então, manifesta ódio cruel e feroz por Pedro, a quem se dirigiu aos gritos[10]:

“Vingar-me-ei! Vingar-me-ei! Farei Justiça por minhas próprias mãos!”

3) Análise


Em todos esses 3 casos, há um mesmo padrão: incapacidade de examinar a própria conduta, a crença de que algo externo trará a salvação (ou que a manipulação de condições externas será determinante para o bem-estar) e a estreiteza da visão, caracterizada pela fixação em determinada idéia ou aspecto da realidade, criando uma posição mental rígida, inflexível, autocentrada e absolutamente insensível, ou mesmo de desprezo às outras pessoas. Essas são as circunstâncias que permeiam o inferno pessoal que esses indivíduos criaram para si. E é por esse mesmo padrão de conduta, em maior ou menor intensidade, que causa o sofrimento de que todos nós tantas vezes padecemos em um mundo de provas e expiações.
Mas são essas mesmas características, por todos nós compartilhadas, que nos levarão a transcender nossa condição atual de sofrimento e alcançar o estágio de angelitude. Pois vemos que, por mais equivocados que sejam os meios, há uma busca de valores legítimos em todos os três personagens: Libório busca o Amor, embora fixado na dependência por Sara; José Maria busca a Paz, ainda que através da mais cruel subjugação de todos à sua volta; o obsessor de Pedro, busca Justiça, embora através da aniquilação de um desafeto.
Os três personagens estão absolutamente convencidos da correção de suas razões – eles acham que estão certos em agir assim. Mas nós sabemos que se acham em uma busca distorcida por valores legítimos: obsessão não pode conduzir ao amor, subjugação não pode gerar paz e vingança não pode trazer justiça. Dentro da paisagem mental que criaram, permeada por um torvelinho de emoções desajustadas, os personagens enxergam os instrutores espirituais como inimigos e a tentativa de fazer o bem, como algo ameaçador[11]. Os instrutores, porém, conseguem, ver a natureza de luz por trás da conduta errática e em um dos casos (Libório), já conseguem conduzi-lo ao arrependimento. Como enxergar a natureza de luz e desconstituir a bolha de realidade em que nos encontramos serão os temas do capítulo seguinte.

3. SAÍDA (O CAMINHO)


1) Visão

Vimos, acima, como, no centro do sofrimento daqueles que penam está um modo equivocado de enxergar as coisas: aquilo que lhes parece bom (vingança, subjugação, vampirismo) é mau; aquilo que lhes parece mau (perdão, solidariedade, entrega) é bom. Essa ignorância das criaturas (que motivou as pungentes palavras de Cristo na cruz“perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”[12]) pode fazer com que passem incontáveis encarnações sem progredir, girando em círculos, por buscarem objetivos errados.
Daí a necessidade de alargarmos a nossa visão, o que deve ser feito através do estudo do Evangelho. Esse aspecto fica muito claro na seguinte fala do Cristo[13]:

“A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; “Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!”


O despertar desta nova visão é destacado por Jesus no episódio da pecadora que lhe verte ungüento[14], em contraponto à revolta dos discípulos que pretendiam ver o frasco vendido e o dinheiro distribuído aos pobres; mas Jesus os repreende, dizendo que “sempre tendes pobres convosco” e justifica a mulher dizendo que “amou muito”.
A cena é de uma profundidade e de uma sensibilidade tocantes. De fato, o que leva uma prostituta a reverenciar alguém sem dinheiro nenhum? O que leva alguém de vida mundana e carnal a homenagear um Mestre que diz que seu Reino não é deste mundo? Houve uma mudança de visão. Ela reconheceu em Jesus a luz da sua vida, a luz que ela precisava para encontrar a sua própria luz e dar sentido à sua existência. E essa mudança de visão lhe conduziu a exteriorizar todo o seu amor a Jesus (ainda que de uma forma um tanto física, certamente herança de seus condicionamentos inconscientes anteriores), ao passo que os discípulos estavam preocupados apenas com o aspecto exterior do dinheiro. Mas é o amor que muda o mundo e não o dinheiro – e enquanto faltar amor haverá pobres no mundo.
Com efeito, "o amor resume inteiramente a doutrina de Jesus”, como nos ensina Lázaro na Codificação de Kardec[15]. É o maior mandamento, que se divide em dois: amar a Deus com todas as nossas forças e amar o próximo como a si mesmo[16]. Se nós olharmos o mundo através das lentes do amor, nossos sofrimentos se extinguirão juntamente com todos os nossos problemas e perceberemos a beleza divina em tudo que nos cerca[17].
Um dos aspectos mais visíveis do amor é o nosso olhar de benevolência com as pessoas que nos cercam: vemos elas sofrendo por suas limitações e, sabendo que se trata de um estado transitório as ajudamos a ir adiante. A nossa capacidade de inclusão é a baliza de nosso progresso. Enquanto acharmos que alguém não é nosso irmão, que não merece ser perdoado, ou que não pode adentrar no Reino de Deus, nós também estaremos fora. A incapacidade de ver a natureza de luz no outro é a nossa própria impossibilidade de manifestar a nossa natureza de luz; com isso, vemos que a exclusão do outro e a nossa exclusão é a mesma coisa: se o outro está fora, nós também não estamos dentro[18]. Não por acaso, André Luiz registra amor e separação como opostos incompatíveis;[19] da mesma forma, Jesus enfatiza a unidade do todo, rejeitando o afastamento, a exclusão e a separação, ao dizer que “quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”[20]

2) Estabilização

Nada obstante, apenas reconhecer a importância do amor não é o suficiente, pois a compreensão, por si só, não elimina o impulso de ação incoerente a ela[21]. Essa percepção foi expressa de modo bastante categórico pelo Apóstolo Paulo in Romanos, 7, 19: “Não faço o bem que eu quero, mas pratico o mal que não quero”[22].
E o que é que nos impede de, tantas vezes, resistirmos aos impulsos egoístas e de praticarmos o bem que queremos? Encontramos a resposta em André Luiz, quando diz que é preciso centrarmo-nos no esforço próprio, sem o que não conseguimos escapar das experiência pretéritas armazenadas no nosso inconsciente, nem por conseguinte, dos impulsos, hábitos e automatismos acumulados ao longo das encarnações[23]. A repetição do mesmo padrão de conduta gera reflexos condicionados, uma tendência de reagir automaticamente aos eventos sem nos guiarmos pelo domínio da consciência.[24]
Para deixarmos de obedecer cegamente nossos impulsos, e alcançarmos o autodomínio sobre o nosso fluxo mental desordenado, não podemos deixar de citar a questão 919 do Livro dos Espíritos[25]:
919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?


“Um sábio da antiguidade vo­lo disse: Conhece­te a ti mesmo.”

Um dos modos mais eficazes de nos autoconhecermos é prestarmos atenção aos nossos momentos de dor. A dor surge quando violamos as leis divinas que estão escritas em nossa própria consciência.[26] Portanto, é na dor que o insucesso de nossos desvios do Bem se revelam, o que permite que examinemos nossas falhas e limitações e, mais do que isso, percebamos a comprovação prática, na carne, de quais são as suas consequências. O conhecimento assim adquirido se incorpora indelevelmente ao nosso ser. Por isso, nenhuma racionalização poderá substituir a necessidade de sentir as emoções.
O caminho oposto é acharmos que não poderíamos ser a pessoa que somos, que apresentamos características inaceitáveis. A não-aceitação da dor e a busca do prazer é o caminho que sempre seguimos, de modo que o prosseguimento desta atitude agora, somente poderia alimentar a bagagem que já carregamos no inconsciente e reforçar as respostas impulsivas e automatizadas.[27] Quando negamos a nós mesmos, não nos tratamos com amor, nem poderemos tratar os outros com o amor; quando negamos a nós mesmos, negamos o amor. Isso explica o grande número de criaturas a vagar pelas ruas em atividade incessante, todas querendo tudo para si e desejando ser quem não são.
O resultado é a agressividade que ainda hoje vemos no mundo, pois as nossas emoções primárias não são destrutivas: somente quando evitamos o que está no nosso interior é que as nossas emoções tornam-se verdadeiramente nocivas para nós e para os outros. Um exemplo típico da tentativa de evitar vivenciar a emoção primária é a raiva: ganhamos uma energia extra e nos desviamos da causa dos nossos males.
Rompemos esse padrão quando aceitamos a dor que estamos sentindo, o que equivale a aceitar a pessoa que somos. Aceitar não significa concordar, nem se identificar. Também não significa cultivar o sofrimento ou a negatividade. A aceitação importa na transmutação, importa no amor. A dor é a porta de entrada para isso, pois a dor que estamos sentindo agora representa o exato estágio da transformação que somos capazes de fazer. E, no momento em que aceitamos quem somos agora, paradoxalmente já não somos mais os mesmos– pois a pessoa que éramos não aceitava.
Essa autoconfrontação diária dos nossos pensamentos com as nossas atitudes contraditórias, apregoada por Santo Agostinho no Livro dos Espíritos[28] se praticada com honestidade, somente pode nos levar ao progresso e à consolidação de nosso ideal de amor; porque temos a centelha divina em nós, as Leis de Deus estão escritas em nossas consciências e as experiências fora do amor nos são insatisfatórias.
Jesus estimulava-nos justamente a buscarmos dentro de nós esse potencial de que dispomos. Daí falar por parábolas, que exigiam uma verdadeira peregrinação interior, um autoquestionamento de valores, um desabrochar da verdade que já está em nós. No final da parábola do Bom Samaritano, o Mestre pergunta expressamente ao doutor da lei: que"lhe parece?”[29] Naturalmente, Jesus somente formula a pergunta porque julga-nos capazes de encontrar a resposta, mesmo que sejamos doutores da lei.

3. Ação


Na sequência da parábola, após o seu interlocutor responder, Jesus diz[30]: “Vai, e faze da mesma maneira”. Com isso, e em diversas outras passagens que expressam comandos ou mandamentos, Jesus deixa claro a necessidade de agir no mundo. Essa dupla face dos ensinamentos nos interessa: ao mesmo tempo em que falava por parábolas, oportunizando às pessoas descobrirem o ensinamento dentro de si, Jesus também dava instruções de como devemos nos conduzir em nossa encarnação.
E essas instruções podem ser resumidas em uma palavra: caridade. “A caridade é o amor que se materializa[31]”, são as nossas atitudes de generosidade, compaixão e interesse pelo bem-estar do próximo. Como disse Kardec[32], “A Caridade é a alma do espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.”
De fato, sem a caridade, todo o nosso conhecimento perderia a sua razão de ser, nem sequer poderia se chamar conhecimento, pois, o estudo da doutrina espírita (assim como nosso próprio autoconhecimento) revelam que saber e não praticar seria um contrassenso insolúvel, seria o mesmo que não saber. Além disso, a prática das ações caridosas possui uma dimensão de rearmonização, permitindo que nos reconciliemos com nossos desafetos, criando oportunidades benéficas para as pessoas que antes geramos prejuízos, adquirindo a bagagem necessária ao nosso progresso.
Assim, a caridade é uma prática que se faz necessária desde o início do caminho. Primeiramente, porque não há necessidade de aguardarmos a sabedoria, para podermos agir: todos temos condições de dar algo para alguém em necessidade, nem que seja um sorriso. Em segundo lugar, cria um círculo positivo com os estudos, em que ambos se reforçam, se complementam e se fundem.
Quando agimos verdadeiramente motivados por ver o bem-estar nos outros, o nosso modo de operar a mente se estabiliza, nos sentimos em paz e a caridade nos parece algo natural. Adquirimos novo entendimento sobre o que lemos, novas dimensões se desvelam e o que antes parecia não fazer sentido agora faz: uma nova consciência é alcançada.
Mas, naturalmente, ainda conservamos nossos impulsos cármicos e é preciso estudo e autoconhecimento para não nos desviarmos. Por isso, o Cristo não se limitava a ditar mandamentos, mas falava também por parábolas; por isso, o Espírito de Verdade disse “amai-vos” e “instruí-vos”[33].
Eventualmente, a nossa compreensão pode não acompanhar nossos esforços para a prática do bem; poderá parecer que estamos sempre nos esforçando, agindo de modo contrário ao que queremos, o que gera insatisfação e, por sua vez, mais esforço, aumentando a angústia, até que, enfim, desistimos. Isso acontece quando não temos uma motivação genuína em ajudar os outros, mas apenas nos esforçamos por seguir regras[34]. O esforço desmensurado e descuidado pode também conduzir ao fanatismo, onde as formas se agigantam, e o conteúdo se perde.
Para evitarmos essa situação, havemos de perseverar nos estudos, buscando o ponto de contato entre os ensinamentos e os nossos sentimentos até descobrirmos o que realmente nos faz feliz[35]. Também a oração é guia fiel para nos auxiliar na melhor maneira de ajudar nossos semelhantes, bem como para mantermos o pensamento em elevada vibração. Naturalmente, não a prece vulgar, auto-petitória, mas aquela “profunda”, em que nos entregamos até nossa alma “ficar alva e radiante de esperança e amor”[36]. Ademais, nossos rogos por bons conselhos constituem pedido de ajuda que não nos será jamais recusado.[37]
Por fim, nossa ação beneficente deve ser permeada pela humildade. Não praticamos a caridade para sobrepor a nossa vontade, nem para impor ao mundo um ideal próprio, mas porque temos consciência de que podemos ser um instrumento para o Bem Maior. Assim, embora busquemos sempre fazer o bem na maior medida possível, nos desapegamos dos resultados do nosso agir porque confiamos na bondade divina que rege o Universo e sabemos que até mesmo nossos fios de cabelos estão todos contados[38]. Ou como diz André Luiz, em uma das suas passagens mais densas e profundas, mas que devemos nos lembrar a todo o tempo[39]:

“Façamos todos o bem sem qualquer ansiedade. Semeemo-lo sempre e em toda a parte, mas não estacionemos na exigência de resultados. O lavrador pode espalhar as sementes a vontade e onde quer que esteja, mas precisa reconhecer que a germinação, o crescimento e o resultado pertencem a Deus.”

4. CONCLUSÃO

Os passos aqui sugeridos (visão, estabilização e ação) possuem caráter mais didático e não são lineares, mas, ao revés, se entremeiam: a ação pode reforçar a visão, para, então, mais facilmente se consolidar. Como diz Emmanuel, sob a epígrafe “Olhai, vigiai e orai[40]”, é preciso atentar que o “discípulo não pode guardar­se, defendendo simultaneamente o patrimônio que lhe foi confiado, sem estender a visão psicológica, buscando penetrar a intimidade essencial das situações e dos acontecimentos.”[41] Os três elementos coexistem em um estado de interdependência. Nós olhamos (ampliamos a visão), oramos (para estabilizá-la) e vigiamos (a conduta e os pensamentos, já que “quem pensa está fazendo alguma coisa alhures”)[42].
A Ministra Veneranda adverte que “a criação mental é quase tudo em nossa vida;”[43] nossos problemas começam com o nosso desconhecimento da nossa própria natureza de luz, que nos leva a adotar uma posição mental de carência (achamos que o que vem de fora pode nos suprir), o que gera um hábito de avidez, o qual, por sua vez, se exterioriza no mundo através de um padrão de atividade incessante. Criamos mentalmente uma visão de mundo em que somos carentes e, portanto, temos de receber nosso alento dos outros. Evidentemente, isso não pode dar certo, o que nos levará a reações com graus de agressividade variáveis, podendo até chegar, desafortunadamente, a conflitos bélicos.
Esse ciclo se quebra quando adotamos uma posição mental de generosidade, quando acreditamos que temos algo a dar, mais do que a receber; percebemos a situação de sofrimento das outras pessoas e brota (da nossa natureza crística) um desejo de ajudá-las. A posição mental de generosidade se exterioriza através de uma postura de caridade, de fazer atos para o bem das outras pessoas. Ambos os aspectos, interno (generosidade) e externo (caridade) se reforçam mutuamente, criando um ciclo positivo. Tivessem essa postura presente, e Libório não se veria emocionalmente dependente de Sara, José Maria não estaria cego por controle e obsessor de Pedro não estaria obcecado por vingança.
Para a consolidação desse processo, temos de ampliar a nossa visão para criarmos um campo mental próprio à sabedoria, ao amor à compaixão. Esse caminho exige de nós o que a maioria das pessoas, equivocadamente, pensa, quiçá por um medo irracional, que não pode dar: coragem de olhar para si, eliminação das dissimulações e a experiência da própria vulnerabilidade[44]. Com isso, ganhamos independência de nossos impulsos ancestrais e recuperamos a liberdade para agir no mundo sem estarmos presos a necessidades artificialmente criadas, carentes de bens e experiências incapazes de nos satisfazer, como se fôssemos vítimas da ansiedade que se retroalimenta de uma atividade incessante.
Já se disse que “a compaixão efetiva é uma forma de liberdade em relação ao autointeresse”[45]. Com efeito, a “compaixão é o indicativo de que surgiu alguma liberdade diante das prisões da nossa compreensão equivocada.”[46]Deste modo, quanto mais ampla a visão, maior a compaixão, o que faz com que menos tenhamos de agir para satisfazer auto-necessidades ilusórias, e mais liberdade tenhamos para agir no mundo em benefício das pessoas. Por conseguinte, menos sujeitos estaremos a incorrer em estados mentais de carência e de obsessões por vingança, controle, ou dependência emocional.
Essa é a verdadeira medida do nosso auto-aperfeiçoamento: a capacidade de ajudar as pessoas e enxergá-las com benevolência, a começar por nossa família até englobar toda a humanidade. Em verdade, essa é a nossa inclinação natural e os obstáculos que hoje nos impedem de agir assim são criações artificiais de nossa própria casa mental. Chegará o dia em que esses obstáculos cairão e fazer o bem será tão espontâneo e natural como o desenho que se forma das folhas caídas no chão de outono.

BIBLIOGRAFIA:
André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Nosso Lar. FEB, 61ª. ed..
André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Os Mensageiros. FEB, 45ª. ed..
André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Missionários da Luz. FEB, 43ª. ed..
André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. No Mundo Maior. FEB, 26ª. ed..
André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Nos Domínios da Mediunidade. FEB, 1ª. ed. especial.
André Luiz [Espírito], pelos Médiuns Chico Xavier e Waldo Vieira. Mecanismos da Mediunidade. FEB, 28ª. ed..
Armond, Edgard. Mediunidade. Aliança, 6ª. ed..
Bíblia Sagrada, SBB, 2009.
Emmanuel [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Fonte Viva. FEB, 2008.
Emmanuel [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Vinhas de Luz, FEB, 2008.
Hammed, pelo médium Francisco do Espírito Santo Neto, Os Prazeres da Alma, Boa Nova, 9ª. ed..
Joana de Ângelis [Espírito], através da psicografia de Divaldo Pereira Franco. Amor, Imbatível Amor.Leal, 13ª. ed..
Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. IDE, 182ª.ed..
Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. EME, 22ª.ed..
Pastorino, Carlos Torres. Técnica da Mediunidade.s/d
Padma Samten. Mandala de Lótus. Peirópolis, s/d.
Pierrakos, Eva. O Caminho da Autotransformação. Cultrix, 2007.
Sobrinho, Geraldo Campetti (Coord.). Espiritismo de A a Z, FEB, 4ª. ed.

[1] LE, Q. 115.
[2] Mt 4, 17; Mc 1, 15.
[3] Jo 2, 1-12.
[4] Mt 5, 48.
[5] Fonte Viva, p. 146.
[6] Fonte Viva, p. 174.
[7] Nos Domínios da Mediunidade, p. 17.
[8] Op. Cit., p. 60.
[9] Op. Cit., p. 68.
[10] Op. Cit., p. 79.
[11] Para uma análise mais aprofundada de como o mundo externo espelha a paisagem mental do observador, vide os capítulos “Planos de Consciência” e “Localizações” da obra Técnica da Mediunidade de C. Torres Pastorino.
[12] Lc 23; 34.
[13] Mt 6, 22-23.
[14] Lc 7, 36 e ss.; Mt 26, 6 e ss.; Mc 14, 3 e ss.
[15] ESE, cap. 11, p. 118.
[16] Mc 12,30-31.
[17] Sobre a transformação que a espiritualização opera em nossa visão, até mesmo de uma laranja, vide Armond, Edgard. Mediunidade, Aliança, 6ª. ed., p. 33.
[18] Esse raciocínio sobre amor e exclusão pode ser encontrado in Mandala de Lótus, p. 105.
[19] Missionários da Luz, Cap. 9, p. 124.
[20] Mt 25, 40. No mesmo sentido: Jo 17,21.
[21] Mandala do Lótus, p. 99.
[22] Cf. Hammed, pelo médium Francisco do Espírito Santo Neto, Os Prazeres da Alma, p. 93.
[23] No Mundo Maior, p. 57 e 54.
[24] Sobre como os reflexos condicionados, nossos condicionamentos adquiridos ao longo das incontáveis encarnações afetam o nosso modo de operar e a dificuldade de sua libertação, vide, também de André Luiz, a obraMecanismos da Mediunidade, capítulos 11, 12 e 14.
[25] p. 286.
[26] LE, Q 614 e 621.
[27] Amor, Imbatível Amor, pelo Espírito Joana de Ângelis, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, p. 41.
[28] Q 919 b
[29] Lc 10, 36.
[30] Lc 10, 38.
[31] Jacintho, Roque. Intimidade. FEB, 3ª. ed., apud Sobrinho, Geraldo Campetti (Coord.). Espiritismo de A a Z, FEB, 4ª. ed., p. 110.
[32] Instruções de Allan Kardec ao Movimento Espírita. Evandro Noleto Bezerra (Org.), FEB, 2005, apud Sobrinho, Geraldo Campetti (Coord.). Espiritismo de A a Z, FEB, 4ª. ed., p. 106.
[33] ESE, Cap. VI, p. 82.
[34] Mandala do Lótus, p. 99-101.
[35] Cf. ESE, Cap. XI, p. 123: “Tereis, contudo, razão, se afirmardes que a felicidade se acha destinada ao
homem nesse mundo, desde que ele a procure, não nos gozos materiais, sim no bem.”
[36] ESE, Cap. XXVII, p. 251.
[37] ESE, Cap. XXV, p. 235.
[38] Mt 10, 30.
[39] Os Mensageiros, p. 162.
[40] Mc 13, 33.
[41] Vinhas de Luz, FEB, 2008, Cap. 87, p. 97.
[42] André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Nosso Lar. FEB, 61ª. ed., p. 85.
[43] André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Nosso Lar. FEB, 61ª. ed., p. 246.
[44] Pierrakos, Eva. O Caminho da Autotransformação. Cultrix, 2007, p. 27
[45] Mandala do Lótus, p. 98.
[46] Id., ibid.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Centros de Força




1) O que são centros vitais?

Os centros vitais são fulcros energéticos que, sob a direção automática da alma, imprimem às células a especialização extrema, que possibilita ao homem possuir um corpo denso. (1)

2) O que são os plexos?

Os plexos são redes de cordões vasculares ou nervosos, anastomosados e entrelaçados. Fala-se, também, de entrecruzamento imbicado.

3) O que são os centros de força?

Os centros de força são os receptores e transmissores de energia cósmica e espiritual. Eles são os alimentadores do metabolismo perispiritual.

4) Centros de força e chakras são a mesma coisa? Qual termo usar?

Sim. A palavra chakra é sânscrita e significa roda. Em Espiritismo, deveríamos optar por “centros de força”, pois este é o termo usado na literatura espírita, principalmente nos livros de André Luiz.

5) Onde estão localizados os centros de força?

Eles estão localizados no corpo espiritual. O corpo espiritual, ou perispírito, segundo o Espírito André Luiz, é "todo o equipamento de recursos automáticos que governam bilhões de entidades microscópicas, a serviço da inteligência".

6) Qual a relação entre centros de força e plexos?

Os plexos, redes de nervos entrelaçados, estão localizados no corpo físico. Os seus pontos correspondentes, localizados no corpo espiritual, são os centros de força. Nesse caso, há uma íntima relação entre os dois, pois o corpo físico influencia o corpo espiritual e, o corpo espiritual, por sua vez, influencia o corpo físico.

7) É possível ativar os centros de força? Como? É recomendável?

Sim. Figuradamente, os centros de força são compostos de vórtices, semelhantes a rodas. Para ativá-los, basta tentar deslocar esses vórtices, para a direita ou para a esquerda. Não é recomendável fazê-lo, pois, em virtude de nossa ignorância, podemos desequilibrar o nosso fluxo energético.

8) Qual é o principal centro de força?

É o coronário, que está localizado na região central do cérebro, e rege toda a atividade funcional dos órgãos. Além disso, supervisiona, também, os outros centros, todos interligados entre si.

9) Quais são os outros centros de força, denominados secundários? Para que servem?

Cerebral - contíguo ao coronário, governa o córtice encefálico na sustentação dos sentidos, a atividade das glândulas endócrinas e do sistema nervoso;

Laríngeo - controla a respiração e a fonação;

Cardíaco - dirige a emotividade e as forças de base;

Esplênico - para as atividades do sistema hepático;

Gástrico - para a digestão e a absorção de alimentos;

Genésico - guia a modelagem de novas formas ou o estabelecimento de estímulos criadores, com vistas ao trabalho, à associação e à realização entre as almas (1).

10) Qual a função da glândula epífise?

Segundo o assistente Alexandre, em Missionários da Luz, o que para a medicina convencional representa controle, é fonte criadora e válvula de escapamento; enquanto as glândulas genitais segregam os hormônios do sexo, a glândula pineal segrega "hormônios psíquicos". Ela conserva ascendência em todo o sistema endocrínico. (2)

10) Para pensar: os centros de força adoecem?

Bibliografia Consultada
(1) Luiz, A. Evolução em Dois Mundos, cap. II.
(2) Luiz, A. Missionários da Luz, cap. III.



sexta-feira, 24 de abril de 2015

Médiuns Sensacionalistas




A frase de João Batista: "É necessário que Ele cresça, e que eu diminua", tem atualidade no comportamento dos médiuns de todas as épocas, especialmente em nossos dias tumultuados.

À semelhança do preparador das veredas, o médium deve diminuir, na razão direta em que o serviço cresça, controlando o personalismo, a fim de que os objetivos a que se entrega assumam o lugar que lhes cabe.
A mediunidade é faculdade neutra, a que os valores morais do seu possuidor oferecem qualificação.

Posta a serviço do sensacionalismo entorpece os centros de registro e decompõe-se. Igualmente, em razão do uso desgovernado a que vai submetida, passa ao comando de Entidades, perversas e frívolas, que se comprazem em comprometer o invigilante, levando-o a estados de desequilíbrio como de ridículo, por fim, ao largo do tempo, empurrando o médium para lamentáveis obsessões.

Entre os gravames que a mediunidade enfrenta, a vaidade e o personalismo do homem adquirem posição de relevo, desviando-o do rumo traçado, conduzindo-o ao sensacionalismo inquietante e consumidor.

Neste caso. o recolhimento, a serenidade e o equilíbrio que devem caracterizar o comportamento psíquico do médium cedem lugar à inquietação, à ansiedade, aos movimentos irregulares das atrações externas, passando a sofrer de irritação, devaneios, e à crença de que repentinamente se tornou pessoal especial, irrepreensível e irreprochável, não tendo ouvidos para a sensatez nem discernimento para a eqüidade.

Torna-se absorvido pelos pensamentos de vanglória, e, disputado pelos irresponsáveis que lhe incensam o orgulho, levam-no à lenta alucinação, que o atira ao abismo da loucura.

A faculdade mediúnica é transitória como outra qualquer, devendo ser preservada mediante o esforço moral de seu possuidor, assim tornando-se simpático aos Bons Espíritos que o inspiram à humildade, à renuncia, à abnegação.

Quando ao personalismo sensacionalista domina o psiquismo do homem, naturalmente que o aturde, tornando-se mais grave nos sensores mediúnicos cuja constituição delicada se desarticula ao impacto dos choques vibratórios dos indivíduos desajustados e das massas esfaimadas, insaciadas, sempre à cata de novidades e variações, sem assumirem compromissos dignificantes.

S. João Bosco, portador de excelentes faculdades mediúnicas, resguardava-as da curiosidade popular, utilizando-as com discrição nas finalidades superiores.

Santa Brigida, da Suécia, que possuía variadas expressões mediúnicas, mantinha o pudor da humildade, ao narrar os fenômenos de que se fazia objeto.

José de Anchieta, médium admirável e curador eficiente, agia com equilíbrio cristão, buscando sempre transferir para Jesus os resultados das suas ações positivas.

S. Pedro de Alcântara, virtuoso médium possuidor de vários "dons", ocultava-os, a fim de servir, apagado, enquanto o Senhor, por seu intermédio, se engrandecia.

Santa Clara de Montefalco procurava não despertar curiosidade para os fenômenos mediúnicos de que era instrumento, atribuindo-os todos à graça divina de que se reconhecia sem merecimento.

Os médiuns que cooperaram na Codificação do Espiritismo, sensatamente anularam-se, a fim de que a Doutrina fixasse nas almas e vidas as bases da verdade e do amor como formas para a aquisição dos valores espirituais libertadores.

Todo sensacionalismo altera a face do fato e adultera-lhe o conteúdo.

Quando este se expressa no fenômeno mediúnico corrompe-o, descaracteriza-o e põe-no a serviço da frivolidade.

Todos quantos se permitiram, na mediunidade, o engano do sensacionalismo, não obstante as justificações sob as quais se resguardam, desceram as rampas do fracasso, enganados e enganando aqueles que se deixaram fascinar pelos seus espetáculos, nos quais, o ridículo passou a figurar.

O tempo, este lutador incessante, encarrega-se de aferir os valores e demonstrar que a "árvore" que o Pai não plantou "termina" por ser arrancada.

Quando tais aficionados da mediunidade bulhenta se derem conta do erro, caso isto venha acontecer, na Terra, possivelmente, o caminho de retorno à sensatez estará muito longo e o sacrifício para percorrê-lo os desencorajará.

Diante do sensacionalismo mediúnico, recordemo-nos de Jesus, que após os admiráveis fenômenos de socorro às massas jamais aceitava o aplauso, as homenagens e gratulações dos beneficiários, recolhendo-se à solidão para, no silêncio, orar, louvando e agradecendo ao Pai, a Eterna Fonte geradora do Bem.

Mensagem psicografada por Divaldo P. Franco em 1989, transcrita em o Reformador.



Mediunato - Vianna de Carvalho



Todo aquele que consegue exercer a mediunidade com elevação, engrandecendo-se e alçando-a aos nobres cimos da vida, no cumprimento da gloriosa missão de ser instrumento do Divino Pensamento, alcança, na Terra, a excelência do mediunato.


Dever de grande abrangência, a sua desincumbência revela-se difícil pelos impositivos de que se reveste, pelos sacrifícios que impõe e pelas dificuldades a superar.

Poucos discípulos da verdade se hão entregado com a necessária abnegação, graças à qual, ao largo do tempo, o homem se doa em espírito de serviço à humanidade, com tal renúncia de si mesmo, que ultrapassa a sua condição para lograr o apostolado mediúnico, o mediunato.

A princípio, são os fortes apelos para a edificação pessoal, a plenitude psíquica e emocional, acalmando as necessidades materiais e superando as fraquezas delas decorrentes, para depois, experimentando as superiores satisfações do espírito, imolar-se por amor, na execução das atividades a que se sente convocado.

Nesse caminho atulhado de pedrouços, os desafios se sucedem, ameaçadores, ao mesmo tempo ferindo e macerando os audaciosos transeuntes que põem os olhos nas metas à frente e buscam alcançá-las. Não se trata de um empreendimento fácil ou de curto prazo, antes, de uma realização prolongada, na qual são enfrentados os perigos que procedem da inferioridade, que teima em permanecer, dominadora.
Definido o rumo e aceito o compromisso, torna-se mais factível a vitória, ganhando-se, dia-a-dia, o espaço que medeia entre a aspiração e o objetivo.

Zoroastro, o grande reformador, nascido na Média, não descansou enquanto não concluiu a missão para a qual reencarnou.

Buda, o Sábio e Solitário dos Sákias, entregou-se com total renúncia ao ministério de reformar a religião adulterada pelo formalismo brâmane, e, não se detendo diante dos impedimentos que o afligiam, permanece fiel até o momento final.

Pitágoras, inspirado pelos espíritos, colocou-se a serviço da verdade, tornando-se responsável pela descoberta das matemáticas, geométricas e astronômicas, deixando um rastro luminoso na história.

Sócrates e Moisés, Isaías e Daniel, entre outros, foram exemplos de missionários que, no mediunato, atingiram as mais elevadas expressões do intercâmbio espiritual em favor da humanidade.

Posteriormente, João Batista e João Evangelista se fizeram expoentes da mediunidade gloriosa, demonstrando o poder da imoralidade sobre as vicissitudes humanas.



Acima, porém, de todos eles, Jesus-Cristo fez-se o Médium de Deus e tornou-se insuperável como Fonte Inspiradora para os homens de todos os séculos.
Perseguido e macerado, sob injunções dolorosas mais se ligava ao Pai, em Quem hauria forças para o Messianato a que se ofereceu, preferindo a coroa do martírio à falaciosa grandeza terrena.

Depois dEle, outros servidores da Sua Seara, profundamente vinculados à vida espiritual e aos desencarnados com os quais confabulavam, exerceram o mediunato de forma eloquente, imolando-se todos por amor ao bem geral e certos da vitória final sobre as fugazes condições terrenas.

Com o espiritismo, o exercício do mediunato tornou-se mais acessível, em se considerando as diamantinas claridades que projeta nos emaranhados e sombrios mistérios da vida, especialmente sobre a realidade do além-túmulo, onde nascem as estruturas do ser e se encontram a sua origem e o seu destino final.

Trazendo de volta, à atualidade, o profetismo hebreu e helênico, os fenômenos que constituíram a glória das civilizações passadas, deu-lhes um sentido novo, perfeitamente concorde com as conquistas do hodierno conhecimento, de modo a impulsionar o homem em direção do autodescobrimento e da razão pela qual se encontra no mundo físico.

Em uma ligeira análise, explicam-se, à luz da revelação espírita, a inspiração do Homero, cujos Cantos procediam de ignotas e nobres regiões espirituais;

de Virgílio, sintonizando com as entidades elevadas, e sendo também considerado profeta;

de Dante, que demonstrou possuir superiores faculdades mediúnicas, graças às quais manteve permanente contato com os espíritos;

de Torquato Tasso, que, em contínuo intercâmbio espiritual e inspirado por Ariosto, aos dezoito anos compôs o seu Renaud, concluindo a célebre Jerusálem Libertada, que é a obra máxima da sua vida extraordinária...

E quantos outros, médiuns inspirados ou psicógrafos, audientes ou sonambúlicos, que se deixaram conduzir pelos guias da humanidade, a fim de apressarem a obra do progresso terrestre?!

Comunicações indiretas como insólitas hão despertado a consciência humana para a realidade espiritual do ser, a todos conclamando para a ação do bem, da justiça e do amor.


No mediunato, entretanto, o servidor atinge o seu momento supremo, deixando de manter a personalidade dominadora, para que o Cristo nele se manifeste e habite, conforme declarou o médium de Tarso, na sua doação total à causa da verdade: - “Já não sou eu o que vivo, mas é o Cristo que vive em mim.”


Sintomas de Mediunidade - Manoel Philomeno de Miranda




A mediunidade é faculdade inerente a todos os seres humanos, que um dia se apresentará ostensiva mais do que ocorre no presente momento histórico.

À medida que se aprimoram os sentidos sensoriais, favorecendo com mais amplo cabedal de apreensão do mundo objetivo, amplia-se a embrionária percepção extrafísica, ensejando o surgimento natural da mediunidade.

Não poucas vezes, é detectada por características especiais que podem ser confundidas com síndromes de algumas psicopatologias que, no passado, eram utilizadas para combater a sua existência.

Não obstante, graças aos notáveis esforços e estudos de Allan Kardec, bem como de uma plêiade de investigadores dos fenômenos paranormais, a mediunidade vem podendo ser observada e perfeitamente aceita com respeito, face aos abençoados contributos que faculta ao pensamento e ao comportamento moral, social e espiritual das criaturas.

Sutis ou vigorosos, alguns desses sintomas permanecem em determinadas ocasiões gerando mal-estar e dissabor, inquietação e transtorno depressivo, enquanto que, em outros momentos, surgem em forma de exaltação da personalidade, sensações desagradáveis no organismo, ou antipatias injustificáveis, animosidades mal disfarçadas, decorrência da assistência espiritual de que se é objeto.

Muitas enfermidades de diagnose difícil, pela variedade da sintomatologia, têm suas raízes em distúrbios da mediunidade de prova, isto é, aquela que se manifesta com a finalidade de convidar o Espírito a resgates aflitivos de comportamentos perversos ou doentios mantidos em existências passadas.

Por exemplo, na área física: dores no corpo, sem causa orgânica; cefalalgia periódica, sem razão biológica; problemas do sono - insônia, pesadelos, pavores noturnos com sudorese -; taquicardias, sem motivo justo; colapso periférico sem nenhuma disfunção circulatória, constituindo todos eles ou apenas alguns, perturbações defluentes de mediunidade em surgimento e com sintonia desequilibrada.

No comportamento psicológico, ainda apresentam-se: ansiedade, fobias variadas, perturbações emocionais, inquietação íntima, pessimismo, desconfianças generalizadas, sensações de presenças imateriais - sombras e vultos, vozes e toques - que surgem inesperadamente, tanto quanto desaparecem sem qualquer medicação, representando distúrbios mediúnicos inconscientes, que decorrem da captação de ondas mentais e vibrações que sincronizam com o perispírito do enfermo, procedentes de Entidades sofredoras ou vingadoras, atraídas pela necessidade de refazimento dos conflitos em que ambos - encarnado e desencarnado - se viram envolvidos.

Esses sintomas, geralmente pertencentes ao capítulo das obsessões simples, revelam presença de faculdade mediúnica em desdobramento, requerendo os cuidados pertinentes à sua educação e prática.

Nem todos os indivíduos, no entanto, que se apresentam com sintomas de tal porte, necessitam de exercer a faculdade de que são portadores. Após a conveniente terapia que é ensejada pelo estudo do Espiritismo e pela transformação moral do paciente, que se fazem indispensáveis ao equilíbrio pessoal, recuperam a harmonia física, emocional e psíquica, prosseguindo, no entanto, com outra visão da vida e diferente comportamento, para que não lhe aconteça nada pior, conforme elucidava Jesus após o atendimento e a recuperação daqueles que O buscavam e tinham o quadro de sofrimentos revertido.

Grande número, porém, de portadores de mediunidade, tem compromisso com a tarefa específica, que lhe exige conhecimento, exercício, abnegação, sentimento de amor e caridade, a fim de atrair os Espíritos Nobres, que se encarregarão de auxiliar a cada um na desincumbência do mister iluminativo.

Trabalhadores da última hora, novos profetas, transformando-se nos modernos obreiros do Senhor, estão comprometidos com o programa espiritual da modificação pessoal, assim como da sociedade, com vistas à Era do Espírito imortal que já se encontra com os seus alicerces fincados na consciência terrestre.

Quando, porém, os distúrbios permanecerem durante o tratamento espiritual, convém que seja levada em conta a psicoterapia consciente, através de especialistas próprios, com o fim de auxiliar o paciente-médium a realizar o autodescobrimento, liberando-se de conflitos e complexos perturbadores, que são decorrentes das experiências infelizes de ontem como de hoje.

O esforço pelo aprimoramento interior aliado à prática do bem, abre os espaços mentais à renovação psíquica, que se enriquece de valores otimistas e positivos que se encontram no bojo do Espiritismo, favorecendo a criatura humana com alegria de viver e de servir, ao tempo que a mesma adquire segurança pessoal e confiança irrestrita em Deus, avançando sem qualquer impedimento no rumo da própria harmonia.

Naturalmente, enquanto se está encarnado, o processo de crescimento espiritual ocorre por meio dos fatores que constituem a argamassa celular, sempre passível de enfermidades, de desconsertos, de problemas que fazem parte da psicosfera terrestre, face à condição evolutiva de cada qual.

A mediunidade, porém, exercida nobremente se torna uma bandeira cristã e humanitária, conduzindo mentes e corações ao porto de segurança e de paz.

A mediunidade, portanto, não é um transtorno do organismo. O seu desconhecimento, a falta de atendimento aos seus impositivos, geram distúrbios que podem ser evitados ou, quando se apresentam, receberem a conveniente orientação para que sejam corrigidos.

Tratando-se de uma faculdade que permite o intercâmbio entre os dois mundos - o físico e o ritual'>espiritual - proporciona a captação de energias cujo teor vibratório corresponde à qualidade moral daqueles que as emitem, assim como daqueloutros que as captam e as transformam em mensagens significativas.

Nesse capítulo, não poucas enfermidades se originam desse intercâmbio, quando procedem as vibrações de Entidades doentias ou perversas, que perturbam o sistema nervoso dos médiuns incipientes, produzindo distúrbios no sistema glandular e até mesmo afetando o imunológico, facultando campo para a instalação de bactérias e vírus destrutivos.

A correta educação das forças mediúnicas proporciona equilíbrio emocional e fisiológico, ensejando saúde integral ao seu portador.

É óbvio que não impedirá a manifestação dos fenômenos decorrentes da Lei de Causa e Efeito, de que necessita o Espírito no seu processo evolutivo, mas facultará a tranqüila condução dos mesmos sem danos para a existência, que prosseguirá em clima de harmonia e saudável, embora os acontecimentos impostos pela necessidade da evolução pessoal.

Cuidadosamente atendida, a mediunidade proporciona bem-estar físico e emocional, contribuindo para maior captação de energias revigorantes, que alçam a mente a regiões felizes e nobres, de onde se podem haurir conhecimentos e sentimentos inabituais, que aformoseiam o Espírito e o enriquecem de beleza e de paz.

Superados, portanto, os sintomas de apresentação da mediunidade, surgem as responsabilidades diante dos novos deveres que irão constituir o clima psíquico ditoso do indivíduo que, compreendendo a magnitude da ocorrência, crescerá interiormente no rumo do Bem e de Deus.

(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, no dia 10 de julho de 2000, em Paramirim, Bahia).
(Jornal Mundo Espírita de Março de 2001)



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