No Reino da Palavra...

- Não grite.
Não permita que o seu modo de falar se
transforme em agressão.

- Conserve a calma.
Ao falar, evite comentários ou imagens
contrárias ao bem.

- Evite a maledicência.
Trazer assuntos infelizes à conversação,
lamentando ocorrências que já se foram, é requisitar
a poeira de caminhos já superados,
complicando paisagens alheias.

- Abstenha-se de todo adjetivo desagradável
para pessoas, coisas e circunstâncias.
Atacar alguém será destruir hoje o nosso
provável benfeitor de amanhã.

- Use a imaginação sem excesso.
Não exageres sintomas ou deficiências
com os fracos ou doentes, porque isso viria
fazê-los mais doentes e mais fracos.

- Responda serenamente em toda questão difícil.
Na base da esperança e bondade,
não existe quem não possa ajudar conversando.

- Guarde uma frase sorridente e amiga para
toda situação inevitável.
Da mente aos lábios, temos um trajeto
controlável para as nossas manifestações.

- Fuja a comparações, a fim de que seu
verbo não venha a ferir.
Por isso, tão logo a idéia negativa nos alcance
a cabeça, arredemo-la, porque um pensamento
pode ser substituído, de imediato, no silêncio
do espírito, mas a palavra solta é sempre um
instrumento ativo em circulação.

Recorde que Jesus legou o Evangelho,
exemplificando, mas conversando também.
ANDRÉ LUIZ



Distribui sorrisos e palavras de amor aos irmãos algemados a
rudes provas como se os visses falando por teus lábios, e
atravessarás os dias de tristeza ou de angústia com a luz da
esperança no coração, caminhando, em rumo certo, para o
reencontro feliz com todos eles, nas bênçãos de Jesus, em plena
imortalidade.

(Emmanuel).

sábado, 1 de novembro de 2014

Desencarnados nas Trevas








DESENCARNADOS EM TREVAS 
Reunião pública de 18-9-61. 
1ª Parte, cap. VII, § 25. 



Desencarnados em trevas... 

Insulados no remorso... 

Detidos em amargas recordações... 

Jungidos à trama dos próprios pensamentos atormentados... 

*** 

Eram donos de palácios soberbos e sentem-se aferrolhados no estreito espaço do túmulo. 

Mostravam-se insensíveis, nos galarins do poder, e derramam o pranto horizontal dos 

caídos. 

Amontoavam haveres e agarram-se, agora, aos panos do esquife. 

Possuíam rebanhos e pradarias e jazem num fosso de poucos palmos. 

Despejavam fardos de dor nos ombros sangrentos dos semelhantes, e suportam, chorando, 

os mármores do sepulcro, a lhes partirem os ossos. 

Estagiavam ciência inútil e tremem perante o desconhecido. 

Devoravam prazeres e gemem a sós. 

Exibiam títulos destacados e soluçam no chão. 

Brilhavam em salões engrinaldados de fantasias e arrastam-se, estremunhados, ante as 

sombras da cova. 

Oprimiam os fracos e não sabem fugir à gula dos vermes. 

Eram campeões da beleza física, e procuram, debalde, esconder-se nas próprias cinzas. 

Repoltreavam-se em redes de ouro, e estiram-se, atarantados, entre caixas de pó. 

Emitiam discursos brilhantes e gaguejam agora. 

Deitavam sapiência e estão loucos. *** 

Nada disso, porém, acontece porque algo possuíssem, mas sim porque foram possuídos de 

paixões desregradas. 

Não se perturbam, porque algo tiveram, mas sim porque retiveram isso ou aquilo, sem ajudar 

a ninguém. 

Se podes verificar a tortura dos desencarnados em trevas, aproveita a lição. 

Não sofrerás pelo que tens, nem pelo que és. 

Todos colheremos o fruto dos próprios atos, no que temos e somos. 

Onde estiveres, pois, faze o bem que puderes, sem apego a ti mesmo. 

Escuta o companheiro que torna do Além, aflito e desorientado, e aprenderás, em silêncio, 

que todo egoísmo gera o culto da morte. 

Livro
Justiça Divina
Psicografado por Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel













Espíritas Diante da Morte





ESPÍRITAS DIANTE DA MORTE

Reunião pública de 25.9.61
1ª. Parte, cap. II, Item 10




Toda religião procura confortar os homens, ante a esfinge da morte.

A Doutrina Espírita não apenas consola, mas também alumia o raciocínio dos que indagam e

choram na grande separação.

***

Toda religião admite a sobrevivência.

A Doutrina Espírita não apenas patenteia a imortalidade da vida, mas também demonstra o

continuísmo da evolução do ser, em esferas diferentes da Terra.

***

Toda religião afirma que o mal será punido, para lá do sepulcro.

A Doutrina Espírita não apenas informa que todo delito exige resgate, mas também destaca

que o inferno é o remorso, na consciência culpada, cujo sofrimento cessa com a necessária

e justa reparação.

***

Toda religião ensina que a alma será expurgada de todo o erro, em regiões inferiores.

A Doutrina Espírita não apenas explica que a alma, depois da morte, se vê mergulhada nos

resultados das próprias ações infelizes, mas também esclarece que, na maioria dos casos, a

estação terminal do purgatório é mesmo a Terra, onde reencontramos as conseqüências de

nossas faltas, a fim de extingui-las, através da reencarnação.

***

Toda religião fala do Céu, como sendo estância de alegria perene.

A Doutrina Espírita não apenas mostra que o Céu existe, por felicidade suprema no Espírito

que sublimou a si mesmo, mas também elucida que os heróis da virtude não se imobilizam

em paraísos estanques, e que, por mais elevados, na hierarquia moral, volvem a socorrer os

irmãos da humanidade ainda situados na sombra.

*** Toda religião encarece o amparo da Providência Divina às almas necessitadas

A Doutrina Espírita não apenas confirma que o Amor infinito de Deus abraça todas as

criaturas, mas também adverte que todos receberemos, individualmente, aqui ou além, de

acordo com as nossas próprias obras.

Os espíritas, pois, realmente não podem temer a morte que lhes sobrevém, na pauta dos

desígnios superiores.

Para todos nós, a desencarnação em atendimento às ordenações da vida maior é o termo de

mais um dia de trabalho santificante, para que se ponham, de novo, a caminho do alvorecer. 

Livro: Justiça Divina - Psicografado pelo Francisco Cândido Xavier - Pelo Espírito Emmanuel


Nós Todos




NÓS TODOS 
Reunião pública de 15.9.61 
1ª. Parte, cap. VII, § 1º 



Espíritos imperfeitos! 

No círculo das paixões que se agitam na Terra, somos nós todos. 

*** 

Abriste a outrem o túnel da paciência e não te furtaste ao desespero, quando o tempo te 

trouxe o dia da prova. 

Receitaste heroísmo ao companheiro dilacerado e acolheste a revolta, quando te beliscaram 

a pele. 

Pregaste desinteresse aos que ajuntaram alguns vinténs e esqueceste os necessitados, 

quando a fortuna te procurou. 

Estranhaste o procedimento culposo dos vizinhos e resvalaste em mais baixo nível, na hora 

da tentação. 

Por isso mesmo, qual nos acontece, ao toque da verdade, tens a luz da esperança na dor da 

insatisfação. 

*** 

No entanto, apesar dos mais duros conflitos de consciência, prossegue indicando o bem. 

Exercício na escola é base do ensino. 

Aluno desanimado perde a lição. 

Fazendo luz para os outros, acabamos medindo a sombra que nos é própria. 

*** 

Não admitas que nós, os amigos desencarnados, estejamos como quem fala de palanque 

blindado, à praça indefesa. 

Obreiros da mesma obra, servimos em duas frentes. 

Choras pelos que viste partir. Choramos nós pelos que ficaram. 

Trabalhamos por ti, a cujo passo recorremos em nova reencarnação. 

Trabalhas por nós, que seremos teus filhos. 

*** 

Imperioso purificar-nos para o vôo supremo aos mundos felizes. 

Tanto aí quanto aqui, é preciso aprender, sofrendo, e subir, resgatando. 

Assim pois, diante do irmão caído no mal, compadece-te dele e ensina o bem, mesmo que o 

mal ainda te ensombre. 

A compaixão mostra o caminho da caridade e, sem caridade uns para com os outros, não há 

segurança para ninguém. 

Livro
Justiça Divina
Psicografado pelo Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel

Espíritos Transviados





ESPÍRITOS TRANSVIADOS

Reunião pública de 30.10.61
1ª. Parte, cap. VII, § 22


Caminham desfalecentes, embuçados na sombra, ainda que o sol resplenda em torno.

Sonâmbulos das paixões em que se desregravam, são cativos dos seus próprios reflexos

dominantes.

Por mais se lhes atraia a atenção para as esferas sublimes, encasulam-se nos interesses inferiores,

encarcerando na Terra as antenas da alma.

Aferrolhavam o coração no recinto estreito de burras preciosas e sentem-se, no esquife, como quem

se refestela em poltrona de ouro.

Empenhavam as forças, a tiranizarem multidões indefesas, manejando o verbo fácil, e deitam oratória

fulgente, no barranco em que se lhes guardam os restos, qual se ocupasse os primeiros lugares em

tribuna de honra.

Aniquilavam recursos, plasmando imagens viciosas, em nome do sentimento, e escrevem ou

gesticulam, na solidão, supondo transmitir emoções enfermiças a legiões de admiradores

imaginários.

Aprisionavam a mente, no egoísmo feroz, e tornam à paisagem doméstica, à maneira de loucos,

envolvendo os entes queridos em fluidos tentaculares.

Hipotecavam energias aos prazeres sensuais e choram agressivos, na clausura da cova, disputando

com os vermes a posse do corpo transformado em ruínas.

Empregavam as horas, ilaqueando a si mesmos, e vagueiam errantes, hipnotizados por inteligências

corrompidas com as quais se conjugam em delitos nas trevas.

***

Não acredites, porém, sejam eles doentes sem esperança.

O Criador não quer escravos na Criação.

Todos são livres para escolher os nossos caminhos.

Por isso, quase sempre, em sucessivas reencarnações, gastamos séculos no mal, a fim de entender

o bem.

E se a Lei te permite conhecer o suplício das consciências transviadas, pra lá do sepulcro, é para que

trabalhes em teu próprio favor.

Corrige em ti mesmo tudo aquilo que nos censuram outros.

Clareia-te por dentro.

Aprimora-te e serve.

Enquanto no corpo físico, desfrutas o poder de controlar o pensamento, aparentando o que deves

ser; no entanto, após a morte, eis que a vida é verdade, mostrando-te como és.

Livro: Justiça Divina - Psicografado pelo Francisco Cândido Xavier - Pelo Espírito Emmanuel


Céu




CÉU
Reunião pública de 24-4-61
1a. Parte, cap. III, item 18

Aflitiva e longa tem sido a nossa viagem multimilenária, através da reencarnação, a fim de

que venhamos a entender o conceito de céu.

Entre os chineses de épocas venerandas, afiançávamos que a imortalidade era a absoluta

integração com os antepassados.

Na Índia Bramânica, admitíamos que o éden fosse a condição privilegiada de alguns eleitos,

na pureza intocável dos cimos.

No Egito remoto, imaginávamos que a glória, na Esfera Espiritual, consistisse na intimidade

com os deuses particulares, ainda mesmo quando se mostrassem positivamente cruéis.

Na Grécia antiga, supúnhamos que a felicidade suprema, além da morte, brilhasse no trono

das honrarias domésticas.

Com gauleses e romanos, incas e astecas, possuíamos figurações especiais do paraíso e,

ainda ontem, acreditávamos que o céu fosse região deleitosa, em que Deus, teologicamente

transformado em caprichoso patriarca, vivesse condecorando os filhos oportunistas que

evidenciassem mais ampla inteligência, no campeonato da adulação.

De existência a existência, entretanto, aprendemos hoje que a vida se espraia, triunfante, em

todos os domínios universais do sem-fim; que a matéria assume estados diversos de fluidez

e condensação; que os mundos se multiplicam infinitamente no plano cósmico; que cada

espírito permanece em determinado momento evolutivo, e que, por isso, o céu, em essência,

é um estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um.

***

É por esse motivo que Allan Kardec pergunta e responde:

- <<Nessa imensidade ilimitada, onde está o Céu?

Em toda parte. Nenhum contorno especial lhe traça limites. Os mundos superiores são as

últimas estações do seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam.>>

E foi ainda, por essa mesma razão que, prevenindo-nos para compreender as realidades da

natureza, no grande porvir, ensinou-nos Jesus, claramente:

- <<O Reino de Deus, está dentro de vós.>>

Livro: Justiça Divina - Psicografado pelo Francisco Cândido Xavier - Pelo Espírito Emmanuel

A Luz da Reencarnação





NA LUZ DA REENCARNAÇÃO

Reunião pública de 21-4-61

1a. Parte, cap. VII, item 17



Trazes hoje as vísceras doentes, compelindo-te aos aborrecimentos de incessante medicação.

Elas, porém, se fizeram assim, à força de suportarem ontem os teus próprios abusos nos

venenos da mesa.

***

Trazes hoje o corpo mutilado, obrigando-te a movimentos de sacrifício.

Tens, no entanto, o carro físico desse modo por lhe haveres gasto, ontem, esse ou aquele

recurso em corridas à delinqüência.

***

Trazes hoje o cérebro hebetado, dificultando-te as expressões.

Mas, isso acontece porque, ontem, mergulhavas a própria cabeça em clima de trevas.

***

Trazes hoje a carência material por sentinela de cada dia.

Contudo, ontem atolavas o coração no supérfluo, articulado com o pranto dos infelizes.

***

Trazes hoje, na própria casa, a presença de certos familiares que te acompanham à feição de

verdugos.

Entretanto, são eles credores de ontem, que surgem, no tempo, pedindo contas.

***

Todos somos capazes de fazer o melhor, porquanto, pelas tentações e provas de hoje, podemos

avaliar o ponto de trabalho em que a vida nos impele a sanar os erros do passado, clareando o

futuro.

Perfeição é a meta.

Reencarnação é o caminho.

E toda falha, na direção de obra perfeita, exige naturalmente corrigenda e recomeço.

Livro: Justiça Divina - Psicografado por Francisco Cândido Xavier - Pelo Espírito Emmanuel

Observai os Pássaros do Céu



Não acumuleis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os comem e onde os ladrões os desenterram e roubam; - acumulai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem os vermes os comem; - porquanto, onde está o vosso tesouro aí está também o vosso coração.

Eis por que vos digo: Não vos inquieteis por saber onde achareis o que comer para sustento da vossa vida, nem de onde tirareis vestes para cobrir o vosso corpo. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes?

Observai os pássaros do céu: não semeiam, não ceifam, nada guardam em celeiros; mas, vosso Pai celestial os alimenta. Não sois muito mais do que eles? - e qual, dentre vós, o que pode, com todos os seus esforços, aumentar de um côvado a sua estatura?

Por que, também, vos inquietais pelo vestuário? Observai como crescem os lírios dos campos: não trabalham, nem fiam; - entretanto, eu vos declaro que nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. - Ora, se Deus tem o cuidado de vestir dessa maneira a erva dos campos, que existe hoje e amanhã será lançada na fornalha, quanto maior cuidado não terá em vos vestir, ó homens de pouca fé!

Não vos inquieteis, pois, dizendo: Que comeremos? ou: que beberemos? ou: de que nos vestiremos? - como fazem os pagãos, que andam à procura de todas essas coisas; porque vosso Pai sabe que tendes necessidades delas.

Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, que todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo. - Assim, pois, não vos ponhais inquietos pelo dia de amanhã, porquanto o amanhã cuidará de si. A cada dia basta o seu mal. (S. MATEUS, cap. VI, vv. 19 a 21 e 25 a 34.)


Interpretadas à letra, essas palavras seriam a negação de toda previdência, de todo trabalho e, conseguintemente, de todo progresso. Com semelhante princípio, o homem limitar-se-ia a esperar passivamente. Suas forças físicas e intelectuais conservar-se-iam inativas. Se tal fora a sua condição normal na Terra, jamais houvera ele saído do estado primitivo e, se dessa condição fizesse ele a sua lei para a atualidade, só lhe caberia viver sem fazer coisa alguma. Não pode ter sido esse o pensamento de Jesus, pois estaria em contradição com o que disse de outras vezes, com as próprias leis da Natureza. Deus criou o homem sem vestes e sem abrigo, mas deu-lhe a inteligência para fabricá-los. (Cap. XIV, no 6; cap. XXV, no 2.)

Não se deve, portanto, ver, nessas palavras, mais do que uma poética alegoria da Providência, que nunca deixa ao abandono os que nela confiam, querendo, todavia, que esses, por seu lado, trabalhem. Se ela nem sempre acode com um auxílio material, inspira as idéias com que se encontram os meios de sair da dificuldade. (Cap. XXVII, no 8.)

Deus conhece as nossas necessidades e a elas provê, como for necessário. O homem, porém, insaciável nos seus desejos, nem sempre sabe contentar-se com o que tem: o necessário não lhe basta; reclama o supérfluo. A Providência, então, o deixa entregue a si mesmo. Freqüentemente, ele se torna infeliz por culpa sua e por haver desatendido à voz que por intermédio da consciência o advertia. Nesses casos, Deus fá-lo sofrer as conseqüências, a fim de que lhe sirvam de lição para o futuro. (Cap. V, no 4.)

A Terra produzirá o suficiente para alimentar a todos os seus habitantes, quando os homens souberem administrar, segundo as leis de justiça, de caridade e de amor ao próximo, os bens que ela dá. Quando a fraternidade reinar entre os povos, como entre as províncias de um mesmo império, o momentâneo supérfluo de um suprirá a momentânea insuficiência do outro; e cada um terá o necessário. O rico, então, considerar-se-á como um que possui grande quantidade de sementes; se as espalhar, elas produzirão pelo cêntuplo para si e para os outros; se, entretanto, comer sozinho as sementes, se as desperdiçar e deixar se perca o excedente do que haja comido, nada produzirão, e não haverá o bastante para todos. Se as amontoar no seu celeiro, os vermes as devorarão. Daí o haver Jesus dito: "Não acumuleis tesouros na Terra, pois que são perecíveis; acumulai-os no céu, onde são eternos." Em outros termos: não ligueis aos bens materiais mais importância do que aos espirituais e sabei sacrificar os primeiros aos segundos. (Cap. XVI, no 7 e seguintes.)

A caridade e a fraternidade não se decretam em leis. Se urna e outra não estiverem no coração, o egoísmo aí sempre imperará. Cabe ao Espiritismo fazê-las penetrar nele.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Obsidiados



"972. Como procedem os maus Espíritos para tentar os outros Espíritos, não podendo jogar com as paixões?

"As paixões não existem materialmente, mas existem no pensamento dos Espíritos atrasados. Os maus dão pasto a esses pensamentos, conduzindo suas vítimas aos lugares onde se lhes ofereça o espetáculo daquelas paixões e de tudo que as possa excitar’’. O LIVRO DOS ESPÍRITOS


Jornadeiam sob dramas angustiantes que vivem mentalmente.

O pensamento dirigido por lembranças vigorosas do passado não consegue romper os laços que o vincula à rememoração continuada.

Atormentados em sinistros dédalos íntimos, desfazem a máscara da aparência sob qualquer impacto emocional.

Irritadiços, vivem desgovernados.

Traumatizados, são sonâmbulos em plena inconsciência da realidade.

Trânsfugas, não conseguem fugir aos cenários de sombras onde residem psiquicamente.

Refletem nas atitudes o próprio desgoverno e sofrem aflições que procuram ocultar, amedrontados.

A maioria esconde o pavor por detrás da aspereza em que se enclausura.

Uns enxergam os adversários do mundo íntimo em todos os que os cercam.

Outros ouvem em todas as expressões verbais o sarcasmo de que são vítimas incessantes.

Transitam, atordoados, monologando ou travando diálogos de vil hostilidade.

Nos painéis da tua mente muitas outras mentes procuram refúgio, constrangendo-te ao recuo.

Falam contigo, procurando recordar-te...

Apresentam-se à hora do parcial desprendimento pelo sono, tentando imprimir nos centros sensíveis os seus espectros em cujas fáceis a dor e a revolta se refletem.

Atropelam-te, imiscuindo-se nas tarefas que te dizem respeito e interferindo mesmo em questões insignificantes do dia-a-dia.

Inspiram-te sombrias maquinações.

Transmitem sugestões malévolas.

Zombam da tua resistência.

Assediam a tua casa psíquica.

Também eles, os outros companheiros do envoltório carnal, igualmente sofrem a compressão desses desencarnados em estado pestilencial do ódio.

Como tu, também lutam tenazmente.

Alguns já se renderam, deixando-se arrastar submissos.

Diversos estão recorrendo aos estupefacientes a fim de fugirem, caindo, logo depois, indefesos, nas ciladas bem urdidas em que se demoram hipnotizados.

Muitos buscam a ação dos eletrochoques e da insulina e repousam apagados sem recobrarem, logo mais, a paz, voltando às evocações logo cessam os efeitos psicoterápicos de um ou de outro.

E há os que procuram em vão, na infância, as causas de suas aflições, deixando-se analisar...

Ignoram, todos eles, as causas transcendentes dos sofrimentos, a anterioridade das obsessões.

Com todo o respeito que nos merecem os métodos da Ciência e as modernas doutrinas psicológicas, associa a prece e o passe às demais terapêuticas de que te serves.

Faze da prece um lenitivo constante e do passe um medicamento refazente.

Renova a mente com o recurso valioso da caridade fraternal.

Sai da cela pessoal e visita outros encarcerados, trabalhando por eles, socorrendo-os, se estiverem em situação mais grave e danosa.

Insculpe no pensamento as asas da esperança e alça a mente às Regiões da Luz, assimilando o hálito divino espalhado em toda a parte.

Sentirás estímulo para lutar e ajudarás, através das atitudes de renovação, os próprios perseguidores desencarnados.

Ora por eles, os teus sicários.

Serve-te do passe evangélico e procura assimilar as energias que te serão transmitidas.

Mas, sobretudo, faze o bem, ajuda sem cessar, harmoniza-te e tem paciência.

O tempo é um benfeitor anônimo.

Diante de obsessores e obsidiados o Excelso Psicólogo manteve sempre a mesma atitude: amor pelo enfermo na carne e piedade pelo enfermo desencarnado, libertando um e outro com o beneplácito da sua misericórdia e os conclamando. a realizarem a tarefa de renovação pelo trabalho, em incessante culto ao perdão pelo amor, em cujas páginas se inscrevem a paz e a felicidade sem jaça.

FRANCO, Divaldo Pereira. Espírito e Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis.





Obreiro Sem Fé



"....e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." (Tiago, 2:18)

Em todos os lugares, vemos o obreiro sem fé, espalhando inquietação e desânimo.

Devota-se a determinado empreendimento de caridade e abandona-o, de início, murmurando:

- "Para quê? O mundo não presta."

Compromete-se em deveres comuns e, sem qualquer mostra de persistência, se faz demissionário de obrigações edificantes, alegando: .Não nasci para o servilismo desonroso.

Aproxima-se da fé religiosa, para desfrutar-lhe os benefícios, entretanto, logo após, relega-a ao esquecimento, asseverando:

- "Tudo isto é mentira e complicação."

Se convidado a posição de evidência, repete o velho estribilho:

- "Não mereço! Sou indigno!..."

Se trazido a testemunhos de humildade, afirma sob manifesta revolta:

- "Quem me ofende assim.?"

E transita de situação em situação, entre a lamúria e a indisciplina, com largo tempo para sentir-se perseguido e desconsiderado.

Em toda parte, é o trabalhador que não termina o serviço por que se responsabilizou ou o aluno que estuda continuadamente, sem jamais aprender a lição.

Não te concentres na fé sem obras, que constitui embriaguez perigosa da alma, todavia, não te consagres à ação, sem fé no Poder Divino e em teu próprio esforço.

O servidor que confia na Lei da Vida reconhece que todos os patrimônios e glórias do Universo pertencem a Deus. Em vista disso, passa no mundo, sob a luz do entusiasmo e da ação no bem incessante, completando as pequenas e grandes tarefas que lhe competem, sem enamorar-se de si mesmo na vaidade e sem escravizar-se às criações de que terá sido venturoso instrumento.

Revelemos a nossa fé, através das nossas obras na felicidade comum e o Senhor conferirá à nossa vida o indefinível acréscimo de amor e sabedoria, de beleza e poder.

XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel.

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