No Reino da Palavra...

- Não grite.
Não permita que o seu modo de falar se
transforme em agressão.

- Conserve a calma.
Ao falar, evite comentários ou imagens
contrárias ao bem.

- Evite a maledicência.
Trazer assuntos infelizes à conversação,
lamentando ocorrências que já se foram, é requisitar
a poeira de caminhos já superados,
complicando paisagens alheias.

- Abstenha-se de todo adjetivo desagradável
para pessoas, coisas e circunstâncias.
Atacar alguém será destruir hoje o nosso
provável benfeitor de amanhã.

- Use a imaginação sem excesso.
Não exageres sintomas ou deficiências
com os fracos ou doentes, porque isso viria
fazê-los mais doentes e mais fracos.

- Responda serenamente em toda questão difícil.
Na base da esperança e bondade,
não existe quem não possa ajudar conversando.

- Guarde uma frase sorridente e amiga para
toda situação inevitável.
Da mente aos lábios, temos um trajeto
controlável para as nossas manifestações.

- Fuja a comparações, a fim de que seu
verbo não venha a ferir.
Por isso, tão logo a idéia negativa nos alcance
a cabeça, arredemo-la, porque um pensamento
pode ser substituído, de imediato, no silêncio
do espírito, mas a palavra solta é sempre um
instrumento ativo em circulação.

Recorde que Jesus legou o Evangelho,
exemplificando, mas conversando também.
ANDRÉ LUIZ



Distribui sorrisos e palavras de amor aos irmãos algemados a
rudes provas como se os visses falando por teus lábios, e
atravessarás os dias de tristeza ou de angústia com a luz da
esperança no coração, caminhando, em rumo certo, para o
reencontro feliz com todos eles, nas bênçãos de Jesus, em plena
imortalidade.

(Emmanuel).

domingo, 4 de janeiro de 2015

Juventude



Todos sabemos que a juventude no corpo somático pode ser considerada um amanhecer, todavia, é mister receber a madrugada da esperança, com harmonia interior, a fim de que a esperança não se converta em taça de conteúdo ácido ou amargo.

Juventude é também entusiasmo. No entanto, quando o entusiasmo não frui a condição da experiência, se transforma em loucura e anarquia.

Juventude é bênção. Entretanto, conduzida pela indisciplina, deixa-se arrastar a lamentáveis perigos.

Juventude é porta de serviço. A porta, porém que jaz aberta, ao abandono, se transmuda em valhacouto de salteadores e vagabundos.

Juventude é igualmente o amanhã. Não obstante, se o hoje não se edifica sobre os alicerces das ações superiores, o porvir surge assinalado pelas sombras dos remorsos e arrependimentos tardios quanto inoperantes.

Assim, convém joeirar desde hoje o solo do futuro com as ferramentas da ação nobilitante.

Indispensável agir dentro da tônica do Evangelho Restaurado, a fim de que as emoções não desçam ao padrão das sensações primitivas,

Nem a inteligência venha a jazer, subalterna, sob os implementos e impositivos das constrições do passado...

O espírita é alguém que encontrou a rota. Após achá-la não se pode permitir a posição insensata ou frívola de quem não persegue coisa alguma, anulando-se nas ações intempestivas e desastrosas.

O espírita é o ser que descobriu tesouros inapreciáveis, não se podendo permitir a veleidade de atirar fora as preciosas gemas ouríferas das oportunidades não fruídas.

Inadiável o dever de seguir e viver o Evangelho puro de Nosso Senhor Jesus - Cristo, na sua beleza e seriedade primitivas, conforme os impositivos estabelecidos pelo próprio Rabi Galileu, que até hoje trabalha em regime de tempo integral, a favor da nossa libertação triunfante.

Jesus, hoje, é o mesmo de ontem, ensinando-nos comportamento austero em face das grandes concessões da corrupção hodierna e dos desajustes de toda ordem que campeiam vitoriosos.

Não nos equivoquemos nem realizemos a experiência espiritista, como se nos encontrássemos sob a compulsória de leis irreversíveis, dominando nossa ignorância. Assumimos um compromisso voluntário antes do berço, responsabilizando-nos pelo desfraldar da bandeira da Boa Nova, numa Humanidade sedenta de paz,bem como concordamos em reacender a tocha do Evangelho Vivo, no momento em que dominam as sombras da perturbação, facultando ao homem entrar em colapso, não obstante as suas conquistas técnicas.

Este momento é, portanto, de integração no espírito do Cristo.

Não negaceemos ante o dever; não regateemos esforços.

Integremos-nos na ação libertadora e marchemos intimoratos e intemeratos, na certeza de que Jesus marcha conosco, esperando que cumpramos com o nosso dever.

Juventude! O meio-dia começa nos primeiros minutos após a meia-noite, assim como o futuro corre mediante as rodas do presente.

É necessário calçar as sandálias da humildade e plasmar no Espírito que tem sede de amor o código da eqüidade e da justiça, a fim de que o arrependimento tardio não assinale as horas futuras, após a impulsividade ou a intemperança.

Avancemos, portanto, servindo, amando e instruindo-nos, porque se o serviço fala da qualidade das nossas convicções, se o amor nos desvela os sentimentos e a instrução nos conduz aos píncaros da sabedoria, só a caridade, como conseqüência, são as mãos do Cristo, transportando-nos à montanha da sublimação evangélica, onde nos integraremos no vero ideal da felicidade que perseguimos.


Autor
Eurípedes Barsanulfo

Deus




O Universo é obra inteligentíssima: obra que transcende a mais genial inteligência humana.
E como todo efeito inteligente tem uma causa inteligente, é forçoso inferir que a do Universo é superior a toda inteligência :
É a inteligência das inteligências;
A causa das causas;
A lei das leis;
O princípio dos princípios;
A razão das razões;
A consciência das consciências;
É Deus. Deus! Nome mil vezes santo, que Newton jamais pronunciava sem se descobrir!
Deus! Vós que vos revelais pela natureza, Vossa filha e nossa mãe, reconheço-vos eu, Senhor,
Na poesia da criação; na criança que sorri;
No ancião que tropeça; no mendigo que implora;
Na mão que assiste; na mãe que vela;
No pai que instrui; no apóstolo que evangeliza;
Reconheço-vos eu, Senhor, no amor da esposa,
No afeto do filho; na estima da irmã;
Na justiça do justo; na misericórdia do indulgente;
Na fé do pio; na esperança dos povos;

Na caridade dos bons; na inteireza dos íntegros;

Deus! Reconheço-vos eu, Senhor,
No estro do vate; na eloqüência do orador;
Na inspiração do artista; na santidade do moralista;

Na sabedoria do filósofo; nos fogos do gênio!

Deus! Reconheço-vos eu, Senhor,
N a flor dos vergéis; na relva dos vales;
No matiz dos campos; na brisa dos prados;
No perfume das Campinas; no murmúrio das fontes;
No rumorejo das franças; na música dos bosques;
Na placidez dos lagos; na altivez dos montes;

Na amplidão dos oceanos; na majestade do firmamento!

Deus! Reconheço-vos eu, Senhor,
Nos lindos antélios; no íris multicor;
Nas auroras polares; no argênteo da lua;
No brilho do sol; na fulgência das estrelas;
No fulgor das constelações!

Deus! Reconheço-vos eu, Senhor,
Na formação das nebulosas; na origem dos mundos;
Na gênesis dos sóis; no berço das humanidades;

Na maravilha, no esplendor, no sublime infinito!

Deus! Reconheço-vos eu, Senhor, com Jesus, quando ora: “PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS”...
Ou com os anjos,
Quando cantam: “GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS”...

Autor
Eurípedes Barsanulfo

Cem por um



Ócio, em qualquer parte, constitui esbanjamento.

Tudo vibra em perpétua movimentação, sem vácuo ou inércia na substância das coisas.

O corpo humano e o corpo espiritual são construções divinas a se estruturarem sobre forças que se combinam e trabalham constantemente em dinamismo santificante, por nossa vez, peças atuantes do Evangelho Vivo, demonstrando que o serviço é condição de saúde eterna.

Insculpe por onde passes o rasto luminoso do entendimento. Edifica o bem, seja escutando o riso dos felizes ou assinalando o soluço dos companheiros desditosos, criando rendimento nos tesouros imperecíveis daalma.

Ampara e ajuda a todos, desde a criança desvalida, necessitada de arrumo e luz para o coração, até o peregrino sem teto, hóspede errante das árvores do caminho.

Conserva por medalhas de mérito os calos nas mãos que abençoam servindo, a fadiga nos músculos que auxiliam com entusiasmo, o suor na fronte que colabora pela felicidade de todos os rasgões que te recordam as feridas encontradas no cumprimento de austeras obrigações.

Oremos na atividade construtiva que não descansa.

Cantemos ao ritmo da perseverança feliz.

Respiremos no hausto da solidariedade sem mescla.

A caridade converte o sacrifício em deleite, o cansaço em repouso, o sofrimento em euforia.

Ar puro – desfaz as emanações malsãs; água límpida – dissolve os detritos da sombra; sol matinal – dissipa as trevas...

Mãos vazias ou cabeça desocupada denunciam coração ocioso.

Sê companheiro da aurora, despertando junto com o dia nas obras de paciência e bondade, sustento e elevação.

A seara do Senhor no solo infatigável do tempo guarda riquezas inexploradas e filões opulentos.

Aquele que grafa uma página edificante, semeia um bom exemplo, educa uma criança, fornece um apontamento confortador, entretece uma palestra nobre ou estende uma dádiva, recolherá, cem por um todos os grãos de amor que lançou na sementeira do Eterno Bem, laborando com a Vida para a Alegria Sem Fim.


Autor
Eurípedes Barsanulfo

sábado, 3 de janeiro de 2015

Companheiros meus.


Companheiros meus.


Que o manto de luz do Senhor nos acoberte a todos, proporcionando-nos ensejos renovados de serviço e aprendizado.
O bercinho de palha de Belém representa o mais belo símbolo da humanidade capaz de tocar o entendimento espiritual de todas as criaturas.
Diante da manjedoura singela queda-se o espírito humano, sentindo a necessidade de se acomodar às situações mais simples e humildes para tingir a posição de paz e alegrias íntimas, que advém da sobriedade nos atos e nas palavras.
Porque o embaraço de muitas situações surge não raro das complicadas maquinações do espírito humano que se sente incapaz de agir com simplicidade.
Jesus é o eterno manancial de luzes a espargir-se por todos os recantos do planeta no eterno anseio de socorrer, amparar, iluminar os destinos humanos.
Oh! Irmãos meus, quanto simplificaríeis o vosso caminho se vos dispusésseis a evocar cada dia a manjedoura humilde!
Natal! Leva a harmonia celeste distribuída por entidades angélicas, numa singular mensagem de amor entre as criaturas!
Quanta grandeza na exposição de uma data, quantos corações se unificam buscando o mesmo ideal, simbolizando o mesmo foco luminoso!
Bem pequeninos somos para sentir a significação do Natal. Porque ainda nos faltam recursos de experiências adquiridas no cultivo do amor ao próximo.
Não olvidemos, pois, que a festa dos corações origina-se no testemunho de serviços na Seara Divina.
Buscar no cumprimento das obrigações junto dos semelhantes.
Que o Natal do Senhor seja um cântico de amor fraterno a embalar os espíritos na peregrinação terrena e represente um estímulo permanente aos deveres da solidariedade cristã!
Jesus nos abençoe!


Eurípedes Barsanulfo
(22/12/1958 – Psicografia de Corina Novelino)


O tesouro da fraternidade



O TESOURO DA FRATERNIDADE

Não desprezes as Pequeninas Parcelas de Carinho para que atinjas o Tesouro da Fraternidade.
Uma palavra confortadora...
O gesto de compreensão e ternura...
A frase de incentivo...
O presente de um livro...
A lembrança de uma flor...
Cinco minutos de palestra edificante...
O sorriso de estímulo...
A gota de remédio...
A informação prestada alegremente...
O pão repartido...
A visita espontânea...
Uma carta de entendimento e amizade...
O abraço de irmão...
O singelo serviço em viagem...
Um ligeiro sinal de cooperação...
Não é com o ouro fácil que descobrirás os mananciais ignorados e profundos da alma.
Não é com a autoridade do mundo que conquistarás a devoção real de um amigo.
Não é com a inteligência poderosa que colherás as flores ocultas da confiança.
Mas sempre que o teu coração se inclinar para um mendigo ou para um príncipe, envolvido na Luz Sublime da Boa Vontade, ajudando e servindo em nome do Bem, olvidando a ti mesmo para que outros se elevem e se rejubilem, guarda a certeza de que tocaste o coração do próximo com as santas irradiações das tuas Pérolas de Bondade e caminharás no mundo, sob a invencível couraça da simpatia para encontrar o Divino Tesouro da Fraternidade em plenos Céus.


Emmanuel
Psicografia Chico Xavier

Desafios são bençãos





Por que eu?

Desafios são bençãos...

As dificuldades sempre existem, são parte da vida.
E é bom que existam ou não haveria crescimento.
Dificuldades são desafios... elas o incitam a trabalhar, a pensar meios de sobrepujá-las.
O próprio esfôrço é essencial...
Assim, tome as dificuldades como bençãos, pois sem dificuldades não estaríamos em lugar nenhum.
Dificuldades maiores virão, e isso significa que a existência está cuidando de você, está lhe dando mais desafios...
E quanto mais você os soluciona, maiores desafios estarão esperando por você.
As dificuldades desaparecem no último momento, mas esse último momento só chega devido as dificuldades.
Assim, nunca tome negativamente qualquer dificuldade...descubra algo positivo nela.
Não se esqueça que, a mesma rocha que bloqueia o caminho,poderá funcionar como um degrau.
Se não houvesse uma rocha no caminho, você nunca se elevaria...
E o próprio processo de ir acima dela, tornando-a um degrau, dá-lhe uma nova altitude de ser.
Quando você pensa criativamente sobre a vida, tudo é útil e tudo é algo a lhe dar.
Nada é sem sentido...
Pense nisso!

Paz e Luz em seu coração!

(Osho)



O argumento justo



O argumento justo


À noite, em casa de Simão, transparecia um véu de tristeza na maioria dos semblantes.

Tadeu e André, atacados horas antes, nas margens do lago, por alguns malfeitores, viram-se constrangidos à reação apressada.

Não surgira consequência grave, mas sentiam-se ambos atormentados e irritadiços.

Quando Jesus começou a falar acerca da glória reservada aos bons, os dois discípulos deixaram transparecer, através do pranto discreto, a amargura que lhes dominava a alma e, não podendo conter-se, Tadeu clamou, aflito:

— Senhor, aspiro sinceramente a servir à Boa Nova; contudo, sou portador de um coração indisciplinado e ingrato. Ouço, contrito, as explanações do Evangelho; lá fora, porém, no trato com o mundo, não passo de um espírito renitente no mal. Lamento... lamento... mas como trabalhar em favor da Humanidade nestas condições?

Embargando-se-lhe a voz, adiantou-se André, alegando, choroso:

— Mestre, que será de mim? Ao seu lado, sou a ovelha obediente; entretanto, ao distanciar-me... basta uma palavra insignificante de incompreensão para desarmar-me. Reconheço-me incapaz de tolerar o insulto ou a pedrada. Será justo prosseguir, ensinando aos outros a prática do bem, imperfeito e mau qual me vejo?!...

Calando-se André, interferiu Pedro, considerando:

— Por minha vez, observo que não passo de mísero espírito endividado e inferior. Sou o pior de todos. Cada noite, ao me retirar para as orações habituais, espanto-me diante da coragem louca dentro da qual venho abraçando os atuais compromissos. Minha fragilidade é grande, meus débitos enormes. Como servir aos princípios sublimes do Novo Reino, se me encontro assim insuficiente e incompleto?

À palavra de Pedro, juntou-se a de Tiago, filho de Alfeu, que asseverou, abatido:

— Na intimidade de minha própria consciência, reparo quão longe me encontro da Boa Nova, verdadeiramente aplicada. Muita vez, depois de reconfortar-me ante as dissertações do Mestre, recolho-me ao quarto solitário, para sondar o abismo de minhas faltas. Há momentos em que pavorosas desilusões me tomam de improviso. Serei na realidade um discípulo sincero? Não estarei enganando o próximo? Tortura-me a incerteza... Quem sabe se não passo de reles mistificador? Outras vozes se fizeram ouvir no cenáculo, desalentadas e cheias de amargura.

Jesus, porém, após assinalar as opiniões ali enunciadas, entre o desânimo e o desapontamento, sorriu, tocado de bom-humor, e esclareceu:

— Em verdade, o paraíso que sonhamos ainda vem muito longe e não vejo aqui nenhum companheiro alado. A meu parecer, os anjos, na indumentária celeste, ainda não encontram domicílio no chão áspero e escuro em que pisamos. Somos aprendizes do bem, a caminho do Pai, e não devemos menoscabar a bendita oportunidade de crescer para Ele, no mesmo impulso da videira que se eleva para o céu, depois de nascer no obscuro seio da terra, alastrando-se compassiva, para transformar-se em vinho reconfortante, destinado à alegria de todos. Mas, se vocês se declaram fracos, devedores, endurecidos e maus e não são os primeiros a trabalhar para se fazerem fortes, redimidos, dedicados e bons em favor da obra geral de salvação, não me parece que os anjos devam descer da glória dos Cimos para substituir-nos no campo de lições da Terra.

O remédio, antes de tudo, se dirige ao doente, o ensino ao ignorante...

De outro modo, penso, a Boa Nova de Salvação se perderia por inadequada e inútil...

As lágrimas dos discípulos transformaram-se em intenso rubor, a irradiar-se da fisionomia de todos, e uma oração sentida do Amigo Divino imprimiu ponto final ao assunto.


pelo Espírito Neio Lúcio - Do Livro: Jesus no Lar, Médium: Francisco Cândido Xavier.







O espelho da vida




O espelho da vida



A mente é o espelho da vida em toda parte.

Ergue-se na Terra para Deus, sob a égide do Cristo, à feição do diamante bruto, que, arrancado ao ventre obscuro do solo, avança, com a orientação do lapidário, para a magnificência da luz.

Nos seres primitivos, aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos Aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória Divina.

Estudando-a de nossa posição espiritual, confinados que nos achamos entre a animalidade e a angelitude, somos impelidos a interpretá-la como sendo o campo de nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar.

Definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando a força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar.

Em todos os domínios do Universo vibra, pois, a influência recíproca.

Tudo se desloca e renova sob os princípios de interdependência e repercussão.

O reflexo esboça a emotividade.
A emotividade plasma a ideia.
A ideia determina a atitude e a palavra que comandam as ações.

Em semelhantes manifestações alongam-se os fios geradores das causas de que nascem as circunstâncias, válvulas obliterativas ou alavancas libertadoras da existência.

Ninguém pode ultrapassar de improviso os recursos da própria mente, muito além do círculo de trabalho em que estagia; contudo, assinalamos, todos nós, os reflexos uns dos outros, dentro da nossa relativa capacidade de assimilação.

Ninguém permanece fora do movimento de permuta incessante.

Respiramos no mundo das imagens que projetamos e recebemos. Por elas, estacionamos sob a fascinação dos elementos que provisoriamente nos escravizam e, através delas, incorporamos o influxo renovador dos poderes que nos induzem à purificação e ao progresso.

O reflexo mental mora no alicerce da vida.

Refletem-se as criaturas, reciprocamente, na Criação que reflete os objetivos do Criador.



pelo Espírito Emmanuel

médium Francisco Cândido Xavier

livro Pensamento e Vida






sábado, 13 de dezembro de 2014

O Amor Que Presenteia




Informa o evangelista Mateus (2:1) que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. A tradição evangélica o situa como reis e os nomeia Belchior, Baltazar e Gaspar.

Guiados por uma estrela, vinham homenagear o mensageiro divino, que chegara pela porta da humildade, nascendo numa estrebaria. Iniciava a jornada ensinando que o caminho para Deus passa, necessariamente, pela simplicidade e o despojamento das vaidades humanas.

Traziam presentes: ouro, incenso e mirra.

Três símbolos: O ouro, a realeza de Jesus. O incenso, sua elevada espiritualidade. A mirra (usada para embalsamar cadáveres), o sacrifício da própria vida, a fim de nos mostrar os caminhos para Deus.

A iniciativa foi a base para que se estabelecesse, nos séculos que se sucederam ao advento do Cristianismo, a tradição de presentear no Natal. Infelizmente, desvirtuada pelos interesses comerciais, transformou-se em obrigação.

Não oferecer os indefectíveis mimos aos familiares é quase uma ofensa. Ninguém se sente feliz se não recebê-los, particularmente as crianças. O ideal seria lembrar o aniversariante. Se a missão de Jesus foi nos ensinar os caminhos do Amor, que tal, amigo leitor, oferecer-lhe três amorosos presentes, à semelhança dos magos, envolvendo empenho por seguir-lhe os passos?

O primeiro presente de amor: o bom ânimo. Evangelho significa boa nova. É maravilhosa a notícia transmitida por Jesus!

Deus, o Criador, o Senhor todo poderoso, é nosso pai de infinito amor e misericórdia, a trabalhar, incessantemente, pela felicidade de seus filhos. Com um paizão assim não há por que ter medos, dúvidas, angústias, tormentos…

Estamos desempregados? Deus nos ajudará a encontrar uma ocupação com que prover a subsistência.

Trazemos o coração partido pelo relacionamento afetivo que não deu certo? Se juntarmos os pedaços, dispostos a seguir em frente, Deus o restaurará com perfeição, sem marcas.

Estamos doentes? Conscientes da proteção divina enfrentaremos com serenidade o mal, reconhecendo as funções educativas da enfermidade, que depura e sensibiliza a alma.

Mesmo ante as perspectivas de constrangimentos dolorosos, impostos pela Vida, no desdobramento de nossas provações, o bom ânimo é valioso testemunho de confiança em nosso Pai Celeste. É tão estranho alguém que acredita em Deus estar na fossa, quanto se dizer torturado pela sede alguém a nadar num lago de águas cristalinas.

O segundo presente de amor: o bom humor.

Exprime-se na capacidade de cultivar o sorriso, mesmo em situações difíceis. Melhor se consegue rir de si mesmo. Quem o faz jamais será infeliz.

Um homem dotado dessa virtude enfrentou grave problema circulatório. Teve que amputar uma perna. Tempos depois, nova complicação. Foi-se a outra perna. Os familiares ficaram preocupados. Naquela situação constrangedora certamente ficaria pra baixo. Viram logo que infundados eram seus temores. Tão logo passou a anestesia e despertou, virou-se para o médico:

– Doutor, estou preocupado!

– Diga o que é. Estou aqui para ajudá-lo.

– Ah! Doutor, receio que nada poderá fazer.

– É tão grave assim?

– Muito! É que agora, sem as duas pernas, não sei em que pé ficou a situação!

Pessoas assim, dispostas a rir de si mesmas, da própria adversidade, jamais serão infelizes.

Jesus geralmente é apresentado com expressão compungida, torturada, sofredor nato. Nada mais equivocado. O bom humor é uma característica do espírito superior. Os Evangelistas, sempre sucintos nas narrativas, não desciam aos detalhes, imprimindo a alguns episódios uma solenidade que certamente não existiu.

Certa feita (Lucas, 9:51-56), transitando pela Samaria, o grupo não encontrou ninguém disposto a oferecer pousada. Imediatamente João e Tiago, chamados irmãos boanerges, filhos do trovão, por seu caráter impulsivo, perguntaram a Jesus se não poderiam evocar o fogo do céu, para queimar aqueles infiéis.

Que tipo de reação poderia ter Jesus, diante de tal disparate?

Certamente, deu boas risadas, antes de advertir, sorridente:

– Gente, que é isso! Vim para salvar os homens, não para queimá-los!

Noutra oportunidade (Mateus, 14:25-31), os discípulos atravessavam de barco, à noite, o Tiberíades. Em dado momento viram um vulto que se aproximava, deslizando sobre as águas.

Um fantasma! Ficaram apavorados.

Logo viram que era Jesus. Certamente o Mestre sorriu, ante o medo dos companheiros. Simão Pedro, afoitamente, dispôs-se a ir ao seu encontro.

– Vem, Simão.

E ele foi, deu alguns passos, vacilou e começou a afundar.

– Senhor, salva-me!.

Jesus deu-lhe a mão e o sustentou, rindo, sem dúvida.

– Ah! homem de pouca fé!

O terceiro presente de amor: a boa vontade.

Trata-se da vontade de ser bom, o empenho por fazer algo em favor do próximo. É fundamental! Segundo os anjos, que fizeram a proclamação celeste no nascimento de Jesus (Lucas, 2:14), somente com seu exercício haverá paz entre os homens.

Jesus foi a personificação da boa vontade, a começar pelo doloroso mergulho na carne. Governador de nosso planeta, Espírito puro e perfeito, poderia guardar-se nas alturas, enviando um embaixador. No entanto, fez questão de comparecer pessoalmente, submetendo-se a imensos sacrifícios.

Após uma existência de dedicação ao Bem, pregado no madeiro da infâmia, cercado de impropérios, continuou a exercitar a boa vontade, pedindo a Deus que perdoasse a todos. Não sabiam o que estavam fazendo.

Depois voltou, materializando-se diante do atônito colégio apostólico. Tinha muito a reclamar dos companheiros. Um deles o traíra, outro o negara três vezes, e todos haviam fugido no momento extremo, vergonhosamente. Mas o Mestre não tocou no assunto. Limitou-se a saudá-los como nos dias venturosos do passado, convocando-os à gloriosa tarefa de disseminação de seus princípios.

Exercitou, como sempre, a boa vontade.

Que sejam muito felizes seus Natais, amigo leitor.

Sempre plenos de bênçãos e também de reflexões em torno do bom ânimo, do bom humor e da boa vontade, três presentes que Jesus muito apreciará, oferecidos com amor.

Com nossas dádivas estaremos contribuindo pela edificação de um Mundo melhor.

Se o fizermos, certamente estaremos nele, desde agora!

Richard Simonetti

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