No Reino da Palavra...

- Não grite.
Não permita que o seu modo de falar se
transforme em agressão.

- Conserve a calma.
Ao falar, evite comentários ou imagens
contrárias ao bem.

- Evite a maledicência.
Trazer assuntos infelizes à conversação,
lamentando ocorrências que já se foram, é requisitar
a poeira de caminhos já superados,
complicando paisagens alheias.

- Abstenha-se de todo adjetivo desagradável
para pessoas, coisas e circunstâncias.
Atacar alguém será destruir hoje o nosso
provável benfeitor de amanhã.

- Use a imaginação sem excesso.
Não exageres sintomas ou deficiências
com os fracos ou doentes, porque isso viria
fazê-los mais doentes e mais fracos.

- Responda serenamente em toda questão difícil.
Na base da esperança e bondade,
não existe quem não possa ajudar conversando.

- Guarde uma frase sorridente e amiga para
toda situação inevitável.
Da mente aos lábios, temos um trajeto
controlável para as nossas manifestações.

- Fuja a comparações, a fim de que seu
verbo não venha a ferir.
Por isso, tão logo a idéia negativa nos alcance
a cabeça, arredemo-la, porque um pensamento
pode ser substituído, de imediato, no silêncio
do espírito, mas a palavra solta é sempre um
instrumento ativo em circulação.

Recorde que Jesus legou o Evangelho,
exemplificando, mas conversando também.
ANDRÉ LUIZ



Distribui sorrisos e palavras de amor aos irmãos algemados a
rudes provas como se os visses falando por teus lábios, e
atravessarás os dias de tristeza ou de angústia com a luz da
esperança no coração, caminhando, em rumo certo, para o
reencontro feliz com todos eles, nas bênçãos de Jesus, em plena
imortalidade.

(Emmanuel).

terça-feira, 12 de maio de 2015

Espiritismo nas Opiniões




Quanto mais se agiganta a evolução na Terra, mais amplos se fazem os órgãos informativos. Em todos os lugares, autoridades pesquisam, confrontam, observam, conjeturam, e no fundo, é sempre o esclarecimento que surge, através da síntese, auxiliando o homem a escolher caminhos e selecionar atitudes. Serviços, ajustes, descobertas, fenômenos e técnicas, nos mais remotos setores do Planeta, pela força do livro e da escola, da imprensa e do rádio, da televisão e do cinema, entram nas interpretações da propaganda, sugerindo preceitos ou traçando soluções. Justa, dessa forma, a iniciativa de trazer a Doutrina Espírita à concorrência honesta das normas que as religiões e as filosofias apresentam às criaturas, no sentido de lhes facilitar a existência. Os espíritas, em todos os quadrantes da atividade terrestre, podem esculpir, sobretudo, nas próprias ações, o conceito espírita que lhes dirige as convicções. Certo, ao temos receitas de felicidade ilusória para dar e nem sabemos, rebaixar o céu ao nível do chão, mas dispomos dos recursos precisos à construção da felicidade e do céu, no reino interior pelo trabalho e pelo estudo, no auto-aperfeiçoamento. Aos que se mostrem decididos à realização espírita pelos testemunhos de Espiritismo realizado, convidamos à meditação no ensinamento libertador de Allan Kardec, sob a inspiração do Cristo, a fim de que possamos edificar a influência espírita, nos mecanismos do progresso e da cultura, não só para que o Espiritismo palpite, vibrante, no parque de opiniões da vida moderna, mas também para que as opiniões do Espiritismo sejam, lidas em nós. 

ANDRÉ LUIZ 
Uberaba, 2 de julho de 1963. ( Página recebido pelo médium Waldo Vieira )

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Auto Aperfeiçoamento








AUTO-APERFEIÇOAMENTO

Por Lúcio Roca Bragança

1. INTRODUÇÃO


O auto-aperfeiçoamento é o caminho que seguimos no estudo da doutrina espírita. O objetivo deste caminho é alcançar a nossa auto-realização, a consecução das nossas potencialidades de espíritos criados simples e ignorantes, mas plenamente perfectíveis[1]. Essa capacidade de nos auto-aperfeiçoarmos, de realizarmos uma mudança pessoal, é uma característica inerente à nossa condição de espíritos e possui tanto uma dimensão de consolação, como de comprometimento, pois, se é verdade que a mudança é possível – e as situações negativas são impermanentes – não é menos verdade que ela nos demanda esforço, disciplina e dedicação.
Esse primeiro aspecto é especialmente relevante: o autoaperfeiçoamento é possível – nós temos a capacidade de mudar – de modo que inexiste razão para julgarmos fixados em determinado estágio evolutivo. Se a mudança não fosse factível, Jesus não teria encarnado na Terra, nem pregado o Evangelho – seria uma tarefa inútil. Notadamente, na tradição sinóptica, a primeira atividade pública do Mestre foi dizer que o Reino de Deus está próximo,[2] ou seja, que ele pode ser alcançado, e, na tradição Joanina, foi a transformação de água em vinho[3]. A questão chegou a ser expressamente dita por Jesus, quando afirmou, no sermão da Montanha, “sede perfeitos”[4].
Já o segundo aspecto possui também grande relevância: é preciso saber o que fazer para alcançar a auto-realização; doutro modo, nossos esforços podem ser hercúleos e vãos – ou, no mínimo, desnecessariamente sofridos e vagarosos.
Neste passo, o presente trabalho pretende abordar o tema do auto-aperfeiçoamento sob o prisma da doutrina espírita, iniciando-se exatamente do ponto de partida, isto é, do estágio em que nos encontramos agora e no que consistem os obstáculos que dificultam o nosso progresso. Numa segunda etapa, examinamos qual é o caminho a ser seguido para alcançarmos a auto-perfeição e, por fim, as conclusões finais.

2. PONTO DE PARTIDA (SITUAÇÃO ATUAL)

1) Intróito

Há duas frases de Emmanuel que denotam de modo muito rico o ponto em que nos encontramos:

"Nossos pensamentos são paredes em que nos enclausuramos ou asas com que progredimos na ascese"[5].

"Presos ao labirinto criado por nós mesmos, eis­nos a reclamar o auxílio do Divino Mestre".[6]

O que há de notável nestas frases é que ambas fazem referência ao fato de estarmos presos e sermos nós mesmos os responsáveis por essa prisão. O aspecto da prisão é apenas uma parte de uma realidade mais ampla: não é apenas a nossa liberdade que é cerceada pelo nosso modo de operar a mente, mas a nossa própria realidade é construída pelo teor de nossos pensamentos, a ponto de podermos criar um mundo infernal ou celestial, como fica claro neste apontamento de André Luiz[7]:

“Os reflexos mentais, segundo a sua natureza, favorecem-nos a estagnação ou nos impulsionam a jornada para frente, porque cada criatura humana vive no céu ou no inferno que edificou para si mesma, nas reentrâncias do coração e da consciência, independentemente do corpo físico, porque, observando a vida em sua essência de eternidade gloriosa, a morte vale apenas como transição entre dois tipos da mesma experiência, no 'hoje imperecível'.”

Curial se faz, portanto, desvendar o processo de criação destas bolhas de realidade que criamos para nós e que podem resultar em um estado angustioso ou beatífico, o que nos propomos a fazer a partir do estudo de 3 capítulos do livro Nos Domínios da Mediunidade (Capítulos 7 a 9), através das realidades construídas por Libório, José Maria e Obsessor de Pedro.

2) Três Exemplos

No capítulo 7, temos a manifestação do espírito de Libório através da médium Eugênia, ocasião em que o desencarnado exterioriza seus pensamentos obsedantes pela mulher de sua paixão, chamada Sara. Destaca-se a seguinte frase[8]:

"Que irrisão! Não existem amigos quando a miséria está conosco... Dos companheiros que conheci, todos me abandonaram. Resta-me apenas Sara! Sara, que não deixarei..."

Já no capítulo 8, manifesta-se, através de Celina, o espírito de José Maria, antigo senhor de escravos desencarnado. Imerso em profundo desequilíbrio mental, fruto da crueldade com que tratava os cativos, expressa os seguintes termos[9]:

“Quem disse que a malfadada revolução dos franceses terá reflexos no Brasil? A loucura de um povo não pode alastrar-se a toda a Terra... Os privilégios dos nobres são invioláveis! Vêm dos reis, que são indiscutivelmente os escolhidos de Deus! Defenderemos nossas prerrogativas, exterminando a propaganda dos rebeldes e regicidas! Venderei meus escravos alfabetizados, nada de panfletos e comentários da rebelião. Como produzir sem o chicote no lombo? Cativos são cativos, senhores são senhores. E todos os fujões e criminosos conhecerão o peso dos meus braços... Matarei sem piedade. Cinco troncos de suplício! Cinco troncos! Eis aquilo de que necessito para refazer a nossa tranqüilidade.”

Por fim, o Capítulo 9 apresenta a história do obsessor de Pedro. Em sua última encarnação, Pedro fora seu irmão consanguíneo e, para seduzir a cunhada, fez internar o obsessor de hoje em um hospício, onde se quedou, aparvalhado até o desencarne. Desde então, manifesta ódio cruel e feroz por Pedro, a quem se dirigiu aos gritos[10]:

“Vingar-me-ei! Vingar-me-ei! Farei Justiça por minhas próprias mãos!”

3) Análise


Em todos esses 3 casos, há um mesmo padrão: incapacidade de examinar a própria conduta, a crença de que algo externo trará a salvação (ou que a manipulação de condições externas será determinante para o bem-estar) e a estreiteza da visão, caracterizada pela fixação em determinada idéia ou aspecto da realidade, criando uma posição mental rígida, inflexível, autocentrada e absolutamente insensível, ou mesmo de desprezo às outras pessoas. Essas são as circunstâncias que permeiam o inferno pessoal que esses indivíduos criaram para si. E é por esse mesmo padrão de conduta, em maior ou menor intensidade, que causa o sofrimento de que todos nós tantas vezes padecemos em um mundo de provas e expiações.
Mas são essas mesmas características, por todos nós compartilhadas, que nos levarão a transcender nossa condição atual de sofrimento e alcançar o estágio de angelitude. Pois vemos que, por mais equivocados que sejam os meios, há uma busca de valores legítimos em todos os três personagens: Libório busca o Amor, embora fixado na dependência por Sara; José Maria busca a Paz, ainda que através da mais cruel subjugação de todos à sua volta; o obsessor de Pedro, busca Justiça, embora através da aniquilação de um desafeto.
Os três personagens estão absolutamente convencidos da correção de suas razões – eles acham que estão certos em agir assim. Mas nós sabemos que se acham em uma busca distorcida por valores legítimos: obsessão não pode conduzir ao amor, subjugação não pode gerar paz e vingança não pode trazer justiça. Dentro da paisagem mental que criaram, permeada por um torvelinho de emoções desajustadas, os personagens enxergam os instrutores espirituais como inimigos e a tentativa de fazer o bem, como algo ameaçador[11]. Os instrutores, porém, conseguem, ver a natureza de luz por trás da conduta errática e em um dos casos (Libório), já conseguem conduzi-lo ao arrependimento. Como enxergar a natureza de luz e desconstituir a bolha de realidade em que nos encontramos serão os temas do capítulo seguinte.

3. SAÍDA (O CAMINHO)


1) Visão

Vimos, acima, como, no centro do sofrimento daqueles que penam está um modo equivocado de enxergar as coisas: aquilo que lhes parece bom (vingança, subjugação, vampirismo) é mau; aquilo que lhes parece mau (perdão, solidariedade, entrega) é bom. Essa ignorância das criaturas (que motivou as pungentes palavras de Cristo na cruz“perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”[12]) pode fazer com que passem incontáveis encarnações sem progredir, girando em círculos, por buscarem objetivos errados.
Daí a necessidade de alargarmos a nossa visão, o que deve ser feito através do estudo do Evangelho. Esse aspecto fica muito claro na seguinte fala do Cristo[13]:

“A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; “Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!”


O despertar desta nova visão é destacado por Jesus no episódio da pecadora que lhe verte ungüento[14], em contraponto à revolta dos discípulos que pretendiam ver o frasco vendido e o dinheiro distribuído aos pobres; mas Jesus os repreende, dizendo que “sempre tendes pobres convosco” e justifica a mulher dizendo que “amou muito”.
A cena é de uma profundidade e de uma sensibilidade tocantes. De fato, o que leva uma prostituta a reverenciar alguém sem dinheiro nenhum? O que leva alguém de vida mundana e carnal a homenagear um Mestre que diz que seu Reino não é deste mundo? Houve uma mudança de visão. Ela reconheceu em Jesus a luz da sua vida, a luz que ela precisava para encontrar a sua própria luz e dar sentido à sua existência. E essa mudança de visão lhe conduziu a exteriorizar todo o seu amor a Jesus (ainda que de uma forma um tanto física, certamente herança de seus condicionamentos inconscientes anteriores), ao passo que os discípulos estavam preocupados apenas com o aspecto exterior do dinheiro. Mas é o amor que muda o mundo e não o dinheiro – e enquanto faltar amor haverá pobres no mundo.
Com efeito, "o amor resume inteiramente a doutrina de Jesus”, como nos ensina Lázaro na Codificação de Kardec[15]. É o maior mandamento, que se divide em dois: amar a Deus com todas as nossas forças e amar o próximo como a si mesmo[16]. Se nós olharmos o mundo através das lentes do amor, nossos sofrimentos se extinguirão juntamente com todos os nossos problemas e perceberemos a beleza divina em tudo que nos cerca[17].
Um dos aspectos mais visíveis do amor é o nosso olhar de benevolência com as pessoas que nos cercam: vemos elas sofrendo por suas limitações e, sabendo que se trata de um estado transitório as ajudamos a ir adiante. A nossa capacidade de inclusão é a baliza de nosso progresso. Enquanto acharmos que alguém não é nosso irmão, que não merece ser perdoado, ou que não pode adentrar no Reino de Deus, nós também estaremos fora. A incapacidade de ver a natureza de luz no outro é a nossa própria impossibilidade de manifestar a nossa natureza de luz; com isso, vemos que a exclusão do outro e a nossa exclusão é a mesma coisa: se o outro está fora, nós também não estamos dentro[18]. Não por acaso, André Luiz registra amor e separação como opostos incompatíveis;[19] da mesma forma, Jesus enfatiza a unidade do todo, rejeitando o afastamento, a exclusão e a separação, ao dizer que “quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”[20]

2) Estabilização

Nada obstante, apenas reconhecer a importância do amor não é o suficiente, pois a compreensão, por si só, não elimina o impulso de ação incoerente a ela[21]. Essa percepção foi expressa de modo bastante categórico pelo Apóstolo Paulo in Romanos, 7, 19: “Não faço o bem que eu quero, mas pratico o mal que não quero”[22].
E o que é que nos impede de, tantas vezes, resistirmos aos impulsos egoístas e de praticarmos o bem que queremos? Encontramos a resposta em André Luiz, quando diz que é preciso centrarmo-nos no esforço próprio, sem o que não conseguimos escapar das experiência pretéritas armazenadas no nosso inconsciente, nem por conseguinte, dos impulsos, hábitos e automatismos acumulados ao longo das encarnações[23]. A repetição do mesmo padrão de conduta gera reflexos condicionados, uma tendência de reagir automaticamente aos eventos sem nos guiarmos pelo domínio da consciência.[24]
Para deixarmos de obedecer cegamente nossos impulsos, e alcançarmos o autodomínio sobre o nosso fluxo mental desordenado, não podemos deixar de citar a questão 919 do Livro dos Espíritos[25]:
919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?


“Um sábio da antiguidade vo­lo disse: Conhece­te a ti mesmo.”

Um dos modos mais eficazes de nos autoconhecermos é prestarmos atenção aos nossos momentos de dor. A dor surge quando violamos as leis divinas que estão escritas em nossa própria consciência.[26] Portanto, é na dor que o insucesso de nossos desvios do Bem se revelam, o que permite que examinemos nossas falhas e limitações e, mais do que isso, percebamos a comprovação prática, na carne, de quais são as suas consequências. O conhecimento assim adquirido se incorpora indelevelmente ao nosso ser. Por isso, nenhuma racionalização poderá substituir a necessidade de sentir as emoções.
O caminho oposto é acharmos que não poderíamos ser a pessoa que somos, que apresentamos características inaceitáveis. A não-aceitação da dor e a busca do prazer é o caminho que sempre seguimos, de modo que o prosseguimento desta atitude agora, somente poderia alimentar a bagagem que já carregamos no inconsciente e reforçar as respostas impulsivas e automatizadas.[27] Quando negamos a nós mesmos, não nos tratamos com amor, nem poderemos tratar os outros com o amor; quando negamos a nós mesmos, negamos o amor. Isso explica o grande número de criaturas a vagar pelas ruas em atividade incessante, todas querendo tudo para si e desejando ser quem não são.
O resultado é a agressividade que ainda hoje vemos no mundo, pois as nossas emoções primárias não são destrutivas: somente quando evitamos o que está no nosso interior é que as nossas emoções tornam-se verdadeiramente nocivas para nós e para os outros. Um exemplo típico da tentativa de evitar vivenciar a emoção primária é a raiva: ganhamos uma energia extra e nos desviamos da causa dos nossos males.
Rompemos esse padrão quando aceitamos a dor que estamos sentindo, o que equivale a aceitar a pessoa que somos. Aceitar não significa concordar, nem se identificar. Também não significa cultivar o sofrimento ou a negatividade. A aceitação importa na transmutação, importa no amor. A dor é a porta de entrada para isso, pois a dor que estamos sentindo agora representa o exato estágio da transformação que somos capazes de fazer. E, no momento em que aceitamos quem somos agora, paradoxalmente já não somos mais os mesmos– pois a pessoa que éramos não aceitava.
Essa autoconfrontação diária dos nossos pensamentos com as nossas atitudes contraditórias, apregoada por Santo Agostinho no Livro dos Espíritos[28] se praticada com honestidade, somente pode nos levar ao progresso e à consolidação de nosso ideal de amor; porque temos a centelha divina em nós, as Leis de Deus estão escritas em nossas consciências e as experiências fora do amor nos são insatisfatórias.
Jesus estimulava-nos justamente a buscarmos dentro de nós esse potencial de que dispomos. Daí falar por parábolas, que exigiam uma verdadeira peregrinação interior, um autoquestionamento de valores, um desabrochar da verdade que já está em nós. No final da parábola do Bom Samaritano, o Mestre pergunta expressamente ao doutor da lei: que"lhe parece?”[29] Naturalmente, Jesus somente formula a pergunta porque julga-nos capazes de encontrar a resposta, mesmo que sejamos doutores da lei.

3. Ação


Na sequência da parábola, após o seu interlocutor responder, Jesus diz[30]: “Vai, e faze da mesma maneira”. Com isso, e em diversas outras passagens que expressam comandos ou mandamentos, Jesus deixa claro a necessidade de agir no mundo. Essa dupla face dos ensinamentos nos interessa: ao mesmo tempo em que falava por parábolas, oportunizando às pessoas descobrirem o ensinamento dentro de si, Jesus também dava instruções de como devemos nos conduzir em nossa encarnação.
E essas instruções podem ser resumidas em uma palavra: caridade. “A caridade é o amor que se materializa[31]”, são as nossas atitudes de generosidade, compaixão e interesse pelo bem-estar do próximo. Como disse Kardec[32], “A Caridade é a alma do espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.”
De fato, sem a caridade, todo o nosso conhecimento perderia a sua razão de ser, nem sequer poderia se chamar conhecimento, pois, o estudo da doutrina espírita (assim como nosso próprio autoconhecimento) revelam que saber e não praticar seria um contrassenso insolúvel, seria o mesmo que não saber. Além disso, a prática das ações caridosas possui uma dimensão de rearmonização, permitindo que nos reconciliemos com nossos desafetos, criando oportunidades benéficas para as pessoas que antes geramos prejuízos, adquirindo a bagagem necessária ao nosso progresso.
Assim, a caridade é uma prática que se faz necessária desde o início do caminho. Primeiramente, porque não há necessidade de aguardarmos a sabedoria, para podermos agir: todos temos condições de dar algo para alguém em necessidade, nem que seja um sorriso. Em segundo lugar, cria um círculo positivo com os estudos, em que ambos se reforçam, se complementam e se fundem.
Quando agimos verdadeiramente motivados por ver o bem-estar nos outros, o nosso modo de operar a mente se estabiliza, nos sentimos em paz e a caridade nos parece algo natural. Adquirimos novo entendimento sobre o que lemos, novas dimensões se desvelam e o que antes parecia não fazer sentido agora faz: uma nova consciência é alcançada.
Mas, naturalmente, ainda conservamos nossos impulsos cármicos e é preciso estudo e autoconhecimento para não nos desviarmos. Por isso, o Cristo não se limitava a ditar mandamentos, mas falava também por parábolas; por isso, o Espírito de Verdade disse “amai-vos” e “instruí-vos”[33].
Eventualmente, a nossa compreensão pode não acompanhar nossos esforços para a prática do bem; poderá parecer que estamos sempre nos esforçando, agindo de modo contrário ao que queremos, o que gera insatisfação e, por sua vez, mais esforço, aumentando a angústia, até que, enfim, desistimos. Isso acontece quando não temos uma motivação genuína em ajudar os outros, mas apenas nos esforçamos por seguir regras[34]. O esforço desmensurado e descuidado pode também conduzir ao fanatismo, onde as formas se agigantam, e o conteúdo se perde.
Para evitarmos essa situação, havemos de perseverar nos estudos, buscando o ponto de contato entre os ensinamentos e os nossos sentimentos até descobrirmos o que realmente nos faz feliz[35]. Também a oração é guia fiel para nos auxiliar na melhor maneira de ajudar nossos semelhantes, bem como para mantermos o pensamento em elevada vibração. Naturalmente, não a prece vulgar, auto-petitória, mas aquela “profunda”, em que nos entregamos até nossa alma “ficar alva e radiante de esperança e amor”[36]. Ademais, nossos rogos por bons conselhos constituem pedido de ajuda que não nos será jamais recusado.[37]
Por fim, nossa ação beneficente deve ser permeada pela humildade. Não praticamos a caridade para sobrepor a nossa vontade, nem para impor ao mundo um ideal próprio, mas porque temos consciência de que podemos ser um instrumento para o Bem Maior. Assim, embora busquemos sempre fazer o bem na maior medida possível, nos desapegamos dos resultados do nosso agir porque confiamos na bondade divina que rege o Universo e sabemos que até mesmo nossos fios de cabelos estão todos contados[38]. Ou como diz André Luiz, em uma das suas passagens mais densas e profundas, mas que devemos nos lembrar a todo o tempo[39]:

“Façamos todos o bem sem qualquer ansiedade. Semeemo-lo sempre e em toda a parte, mas não estacionemos na exigência de resultados. O lavrador pode espalhar as sementes a vontade e onde quer que esteja, mas precisa reconhecer que a germinação, o crescimento e o resultado pertencem a Deus.”

4. CONCLUSÃO

Os passos aqui sugeridos (visão, estabilização e ação) possuem caráter mais didático e não são lineares, mas, ao revés, se entremeiam: a ação pode reforçar a visão, para, então, mais facilmente se consolidar. Como diz Emmanuel, sob a epígrafe “Olhai, vigiai e orai[40]”, é preciso atentar que o “discípulo não pode guardar­se, defendendo simultaneamente o patrimônio que lhe foi confiado, sem estender a visão psicológica, buscando penetrar a intimidade essencial das situações e dos acontecimentos.”[41] Os três elementos coexistem em um estado de interdependência. Nós olhamos (ampliamos a visão), oramos (para estabilizá-la) e vigiamos (a conduta e os pensamentos, já que “quem pensa está fazendo alguma coisa alhures”)[42].
A Ministra Veneranda adverte que “a criação mental é quase tudo em nossa vida;”[43] nossos problemas começam com o nosso desconhecimento da nossa própria natureza de luz, que nos leva a adotar uma posição mental de carência (achamos que o que vem de fora pode nos suprir), o que gera um hábito de avidez, o qual, por sua vez, se exterioriza no mundo através de um padrão de atividade incessante. Criamos mentalmente uma visão de mundo em que somos carentes e, portanto, temos de receber nosso alento dos outros. Evidentemente, isso não pode dar certo, o que nos levará a reações com graus de agressividade variáveis, podendo até chegar, desafortunadamente, a conflitos bélicos.
Esse ciclo se quebra quando adotamos uma posição mental de generosidade, quando acreditamos que temos algo a dar, mais do que a receber; percebemos a situação de sofrimento das outras pessoas e brota (da nossa natureza crística) um desejo de ajudá-las. A posição mental de generosidade se exterioriza através de uma postura de caridade, de fazer atos para o bem das outras pessoas. Ambos os aspectos, interno (generosidade) e externo (caridade) se reforçam mutuamente, criando um ciclo positivo. Tivessem essa postura presente, e Libório não se veria emocionalmente dependente de Sara, José Maria não estaria cego por controle e obsessor de Pedro não estaria obcecado por vingança.
Para a consolidação desse processo, temos de ampliar a nossa visão para criarmos um campo mental próprio à sabedoria, ao amor à compaixão. Esse caminho exige de nós o que a maioria das pessoas, equivocadamente, pensa, quiçá por um medo irracional, que não pode dar: coragem de olhar para si, eliminação das dissimulações e a experiência da própria vulnerabilidade[44]. Com isso, ganhamos independência de nossos impulsos ancestrais e recuperamos a liberdade para agir no mundo sem estarmos presos a necessidades artificialmente criadas, carentes de bens e experiências incapazes de nos satisfazer, como se fôssemos vítimas da ansiedade que se retroalimenta de uma atividade incessante.
Já se disse que “a compaixão efetiva é uma forma de liberdade em relação ao autointeresse”[45]. Com efeito, a “compaixão é o indicativo de que surgiu alguma liberdade diante das prisões da nossa compreensão equivocada.”[46]Deste modo, quanto mais ampla a visão, maior a compaixão, o que faz com que menos tenhamos de agir para satisfazer auto-necessidades ilusórias, e mais liberdade tenhamos para agir no mundo em benefício das pessoas. Por conseguinte, menos sujeitos estaremos a incorrer em estados mentais de carência e de obsessões por vingança, controle, ou dependência emocional.
Essa é a verdadeira medida do nosso auto-aperfeiçoamento: a capacidade de ajudar as pessoas e enxergá-las com benevolência, a começar por nossa família até englobar toda a humanidade. Em verdade, essa é a nossa inclinação natural e os obstáculos que hoje nos impedem de agir assim são criações artificiais de nossa própria casa mental. Chegará o dia em que esses obstáculos cairão e fazer o bem será tão espontâneo e natural como o desenho que se forma das folhas caídas no chão de outono.

BIBLIOGRAFIA:
André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Nosso Lar. FEB, 61ª. ed..
André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Os Mensageiros. FEB, 45ª. ed..
André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Missionários da Luz. FEB, 43ª. ed..
André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. No Mundo Maior. FEB, 26ª. ed..
André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Nos Domínios da Mediunidade. FEB, 1ª. ed. especial.
André Luiz [Espírito], pelos Médiuns Chico Xavier e Waldo Vieira. Mecanismos da Mediunidade. FEB, 28ª. ed..
Armond, Edgard. Mediunidade. Aliança, 6ª. ed..
Bíblia Sagrada, SBB, 2009.
Emmanuel [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Fonte Viva. FEB, 2008.
Emmanuel [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Vinhas de Luz, FEB, 2008.
Hammed, pelo médium Francisco do Espírito Santo Neto, Os Prazeres da Alma, Boa Nova, 9ª. ed..
Joana de Ângelis [Espírito], através da psicografia de Divaldo Pereira Franco. Amor, Imbatível Amor.Leal, 13ª. ed..
Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. IDE, 182ª.ed..
Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. EME, 22ª.ed..
Pastorino, Carlos Torres. Técnica da Mediunidade.s/d
Padma Samten. Mandala de Lótus. Peirópolis, s/d.
Pierrakos, Eva. O Caminho da Autotransformação. Cultrix, 2007.
Sobrinho, Geraldo Campetti (Coord.). Espiritismo de A a Z, FEB, 4ª. ed.

[1] LE, Q. 115.
[2] Mt 4, 17; Mc 1, 15.
[3] Jo 2, 1-12.
[4] Mt 5, 48.
[5] Fonte Viva, p. 146.
[6] Fonte Viva, p. 174.
[7] Nos Domínios da Mediunidade, p. 17.
[8] Op. Cit., p. 60.
[9] Op. Cit., p. 68.
[10] Op. Cit., p. 79.
[11] Para uma análise mais aprofundada de como o mundo externo espelha a paisagem mental do observador, vide os capítulos “Planos de Consciência” e “Localizações” da obra Técnica da Mediunidade de C. Torres Pastorino.
[12] Lc 23; 34.
[13] Mt 6, 22-23.
[14] Lc 7, 36 e ss.; Mt 26, 6 e ss.; Mc 14, 3 e ss.
[15] ESE, cap. 11, p. 118.
[16] Mc 12,30-31.
[17] Sobre a transformação que a espiritualização opera em nossa visão, até mesmo de uma laranja, vide Armond, Edgard. Mediunidade, Aliança, 6ª. ed., p. 33.
[18] Esse raciocínio sobre amor e exclusão pode ser encontrado in Mandala de Lótus, p. 105.
[19] Missionários da Luz, Cap. 9, p. 124.
[20] Mt 25, 40. No mesmo sentido: Jo 17,21.
[21] Mandala do Lótus, p. 99.
[22] Cf. Hammed, pelo médium Francisco do Espírito Santo Neto, Os Prazeres da Alma, p. 93.
[23] No Mundo Maior, p. 57 e 54.
[24] Sobre como os reflexos condicionados, nossos condicionamentos adquiridos ao longo das incontáveis encarnações afetam o nosso modo de operar e a dificuldade de sua libertação, vide, também de André Luiz, a obraMecanismos da Mediunidade, capítulos 11, 12 e 14.
[25] p. 286.
[26] LE, Q 614 e 621.
[27] Amor, Imbatível Amor, pelo Espírito Joana de Ângelis, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, p. 41.
[28] Q 919 b
[29] Lc 10, 36.
[30] Lc 10, 38.
[31] Jacintho, Roque. Intimidade. FEB, 3ª. ed., apud Sobrinho, Geraldo Campetti (Coord.). Espiritismo de A a Z, FEB, 4ª. ed., p. 110.
[32] Instruções de Allan Kardec ao Movimento Espírita. Evandro Noleto Bezerra (Org.), FEB, 2005, apud Sobrinho, Geraldo Campetti (Coord.). Espiritismo de A a Z, FEB, 4ª. ed., p. 106.
[33] ESE, Cap. VI, p. 82.
[34] Mandala do Lótus, p. 99-101.
[35] Cf. ESE, Cap. XI, p. 123: “Tereis, contudo, razão, se afirmardes que a felicidade se acha destinada ao
homem nesse mundo, desde que ele a procure, não nos gozos materiais, sim no bem.”
[36] ESE, Cap. XXVII, p. 251.
[37] ESE, Cap. XXV, p. 235.
[38] Mt 10, 30.
[39] Os Mensageiros, p. 162.
[40] Mc 13, 33.
[41] Vinhas de Luz, FEB, 2008, Cap. 87, p. 97.
[42] André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Nosso Lar. FEB, 61ª. ed., p. 85.
[43] André Luiz [Espírito], pelo Médium Chico Xavier. Nosso Lar. FEB, 61ª. ed., p. 246.
[44] Pierrakos, Eva. O Caminho da Autotransformação. Cultrix, 2007, p. 27
[45] Mandala do Lótus, p. 98.
[46] Id., ibid.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Centros de Força




1) O que são centros vitais?

Os centros vitais são fulcros energéticos que, sob a direção automática da alma, imprimem às células a especialização extrema, que possibilita ao homem possuir um corpo denso. (1)

2) O que são os plexos?

Os plexos são redes de cordões vasculares ou nervosos, anastomosados e entrelaçados. Fala-se, também, de entrecruzamento imbicado.

3) O que são os centros de força?

Os centros de força são os receptores e transmissores de energia cósmica e espiritual. Eles são os alimentadores do metabolismo perispiritual.

4) Centros de força e chakras são a mesma coisa? Qual termo usar?

Sim. A palavra chakra é sânscrita e significa roda. Em Espiritismo, deveríamos optar por “centros de força”, pois este é o termo usado na literatura espírita, principalmente nos livros de André Luiz.

5) Onde estão localizados os centros de força?

Eles estão localizados no corpo espiritual. O corpo espiritual, ou perispírito, segundo o Espírito André Luiz, é "todo o equipamento de recursos automáticos que governam bilhões de entidades microscópicas, a serviço da inteligência".

6) Qual a relação entre centros de força e plexos?

Os plexos, redes de nervos entrelaçados, estão localizados no corpo físico. Os seus pontos correspondentes, localizados no corpo espiritual, são os centros de força. Nesse caso, há uma íntima relação entre os dois, pois o corpo físico influencia o corpo espiritual e, o corpo espiritual, por sua vez, influencia o corpo físico.

7) É possível ativar os centros de força? Como? É recomendável?

Sim. Figuradamente, os centros de força são compostos de vórtices, semelhantes a rodas. Para ativá-los, basta tentar deslocar esses vórtices, para a direita ou para a esquerda. Não é recomendável fazê-lo, pois, em virtude de nossa ignorância, podemos desequilibrar o nosso fluxo energético.

8) Qual é o principal centro de força?

É o coronário, que está localizado na região central do cérebro, e rege toda a atividade funcional dos órgãos. Além disso, supervisiona, também, os outros centros, todos interligados entre si.

9) Quais são os outros centros de força, denominados secundários? Para que servem?

Cerebral - contíguo ao coronário, governa o córtice encefálico na sustentação dos sentidos, a atividade das glândulas endócrinas e do sistema nervoso;

Laríngeo - controla a respiração e a fonação;

Cardíaco - dirige a emotividade e as forças de base;

Esplênico - para as atividades do sistema hepático;

Gástrico - para a digestão e a absorção de alimentos;

Genésico - guia a modelagem de novas formas ou o estabelecimento de estímulos criadores, com vistas ao trabalho, à associação e à realização entre as almas (1).

10) Qual a função da glândula epífise?

Segundo o assistente Alexandre, em Missionários da Luz, o que para a medicina convencional representa controle, é fonte criadora e válvula de escapamento; enquanto as glândulas genitais segregam os hormônios do sexo, a glândula pineal segrega "hormônios psíquicos". Ela conserva ascendência em todo o sistema endocrínico. (2)

10) Para pensar: os centros de força adoecem?

Bibliografia Consultada
(1) Luiz, A. Evolução em Dois Mundos, cap. II.
(2) Luiz, A. Missionários da Luz, cap. III.



sexta-feira, 24 de abril de 2015

Médiuns Sensacionalistas




A frase de João Batista: "É necessário que Ele cresça, e que eu diminua", tem atualidade no comportamento dos médiuns de todas as épocas, especialmente em nossos dias tumultuados.

À semelhança do preparador das veredas, o médium deve diminuir, na razão direta em que o serviço cresça, controlando o personalismo, a fim de que os objetivos a que se entrega assumam o lugar que lhes cabe.
A mediunidade é faculdade neutra, a que os valores morais do seu possuidor oferecem qualificação.

Posta a serviço do sensacionalismo entorpece os centros de registro e decompõe-se. Igualmente, em razão do uso desgovernado a que vai submetida, passa ao comando de Entidades, perversas e frívolas, que se comprazem em comprometer o invigilante, levando-o a estados de desequilíbrio como de ridículo, por fim, ao largo do tempo, empurrando o médium para lamentáveis obsessões.

Entre os gravames que a mediunidade enfrenta, a vaidade e o personalismo do homem adquirem posição de relevo, desviando-o do rumo traçado, conduzindo-o ao sensacionalismo inquietante e consumidor.

Neste caso. o recolhimento, a serenidade e o equilíbrio que devem caracterizar o comportamento psíquico do médium cedem lugar à inquietação, à ansiedade, aos movimentos irregulares das atrações externas, passando a sofrer de irritação, devaneios, e à crença de que repentinamente se tornou pessoal especial, irrepreensível e irreprochável, não tendo ouvidos para a sensatez nem discernimento para a eqüidade.

Torna-se absorvido pelos pensamentos de vanglória, e, disputado pelos irresponsáveis que lhe incensam o orgulho, levam-no à lenta alucinação, que o atira ao abismo da loucura.

A faculdade mediúnica é transitória como outra qualquer, devendo ser preservada mediante o esforço moral de seu possuidor, assim tornando-se simpático aos Bons Espíritos que o inspiram à humildade, à renuncia, à abnegação.

Quando ao personalismo sensacionalista domina o psiquismo do homem, naturalmente que o aturde, tornando-se mais grave nos sensores mediúnicos cuja constituição delicada se desarticula ao impacto dos choques vibratórios dos indivíduos desajustados e das massas esfaimadas, insaciadas, sempre à cata de novidades e variações, sem assumirem compromissos dignificantes.

S. João Bosco, portador de excelentes faculdades mediúnicas, resguardava-as da curiosidade popular, utilizando-as com discrição nas finalidades superiores.

Santa Brigida, da Suécia, que possuía variadas expressões mediúnicas, mantinha o pudor da humildade, ao narrar os fenômenos de que se fazia objeto.

José de Anchieta, médium admirável e curador eficiente, agia com equilíbrio cristão, buscando sempre transferir para Jesus os resultados das suas ações positivas.

S. Pedro de Alcântara, virtuoso médium possuidor de vários "dons", ocultava-os, a fim de servir, apagado, enquanto o Senhor, por seu intermédio, se engrandecia.

Santa Clara de Montefalco procurava não despertar curiosidade para os fenômenos mediúnicos de que era instrumento, atribuindo-os todos à graça divina de que se reconhecia sem merecimento.

Os médiuns que cooperaram na Codificação do Espiritismo, sensatamente anularam-se, a fim de que a Doutrina fixasse nas almas e vidas as bases da verdade e do amor como formas para a aquisição dos valores espirituais libertadores.

Todo sensacionalismo altera a face do fato e adultera-lhe o conteúdo.

Quando este se expressa no fenômeno mediúnico corrompe-o, descaracteriza-o e põe-no a serviço da frivolidade.

Todos quantos se permitiram, na mediunidade, o engano do sensacionalismo, não obstante as justificações sob as quais se resguardam, desceram as rampas do fracasso, enganados e enganando aqueles que se deixaram fascinar pelos seus espetáculos, nos quais, o ridículo passou a figurar.

O tempo, este lutador incessante, encarrega-se de aferir os valores e demonstrar que a "árvore" que o Pai não plantou "termina" por ser arrancada.

Quando tais aficionados da mediunidade bulhenta se derem conta do erro, caso isto venha acontecer, na Terra, possivelmente, o caminho de retorno à sensatez estará muito longo e o sacrifício para percorrê-lo os desencorajará.

Diante do sensacionalismo mediúnico, recordemo-nos de Jesus, que após os admiráveis fenômenos de socorro às massas jamais aceitava o aplauso, as homenagens e gratulações dos beneficiários, recolhendo-se à solidão para, no silêncio, orar, louvando e agradecendo ao Pai, a Eterna Fonte geradora do Bem.

Mensagem psicografada por Divaldo P. Franco em 1989, transcrita em o Reformador.



Mediunato - Vianna de Carvalho



Todo aquele que consegue exercer a mediunidade com elevação, engrandecendo-se e alçando-a aos nobres cimos da vida, no cumprimento da gloriosa missão de ser instrumento do Divino Pensamento, alcança, na Terra, a excelência do mediunato.


Dever de grande abrangência, a sua desincumbência revela-se difícil pelos impositivos de que se reveste, pelos sacrifícios que impõe e pelas dificuldades a superar.

Poucos discípulos da verdade se hão entregado com a necessária abnegação, graças à qual, ao largo do tempo, o homem se doa em espírito de serviço à humanidade, com tal renúncia de si mesmo, que ultrapassa a sua condição para lograr o apostolado mediúnico, o mediunato.

A princípio, são os fortes apelos para a edificação pessoal, a plenitude psíquica e emocional, acalmando as necessidades materiais e superando as fraquezas delas decorrentes, para depois, experimentando as superiores satisfações do espírito, imolar-se por amor, na execução das atividades a que se sente convocado.

Nesse caminho atulhado de pedrouços, os desafios se sucedem, ameaçadores, ao mesmo tempo ferindo e macerando os audaciosos transeuntes que põem os olhos nas metas à frente e buscam alcançá-las. Não se trata de um empreendimento fácil ou de curto prazo, antes, de uma realização prolongada, na qual são enfrentados os perigos que procedem da inferioridade, que teima em permanecer, dominadora.
Definido o rumo e aceito o compromisso, torna-se mais factível a vitória, ganhando-se, dia-a-dia, o espaço que medeia entre a aspiração e o objetivo.

Zoroastro, o grande reformador, nascido na Média, não descansou enquanto não concluiu a missão para a qual reencarnou.

Buda, o Sábio e Solitário dos Sákias, entregou-se com total renúncia ao ministério de reformar a religião adulterada pelo formalismo brâmane, e, não se detendo diante dos impedimentos que o afligiam, permanece fiel até o momento final.

Pitágoras, inspirado pelos espíritos, colocou-se a serviço da verdade, tornando-se responsável pela descoberta das matemáticas, geométricas e astronômicas, deixando um rastro luminoso na história.

Sócrates e Moisés, Isaías e Daniel, entre outros, foram exemplos de missionários que, no mediunato, atingiram as mais elevadas expressões do intercâmbio espiritual em favor da humanidade.

Posteriormente, João Batista e João Evangelista se fizeram expoentes da mediunidade gloriosa, demonstrando o poder da imoralidade sobre as vicissitudes humanas.



Acima, porém, de todos eles, Jesus-Cristo fez-se o Médium de Deus e tornou-se insuperável como Fonte Inspiradora para os homens de todos os séculos.
Perseguido e macerado, sob injunções dolorosas mais se ligava ao Pai, em Quem hauria forças para o Messianato a que se ofereceu, preferindo a coroa do martírio à falaciosa grandeza terrena.

Depois dEle, outros servidores da Sua Seara, profundamente vinculados à vida espiritual e aos desencarnados com os quais confabulavam, exerceram o mediunato de forma eloquente, imolando-se todos por amor ao bem geral e certos da vitória final sobre as fugazes condições terrenas.

Com o espiritismo, o exercício do mediunato tornou-se mais acessível, em se considerando as diamantinas claridades que projeta nos emaranhados e sombrios mistérios da vida, especialmente sobre a realidade do além-túmulo, onde nascem as estruturas do ser e se encontram a sua origem e o seu destino final.

Trazendo de volta, à atualidade, o profetismo hebreu e helênico, os fenômenos que constituíram a glória das civilizações passadas, deu-lhes um sentido novo, perfeitamente concorde com as conquistas do hodierno conhecimento, de modo a impulsionar o homem em direção do autodescobrimento e da razão pela qual se encontra no mundo físico.

Em uma ligeira análise, explicam-se, à luz da revelação espírita, a inspiração do Homero, cujos Cantos procediam de ignotas e nobres regiões espirituais;

de Virgílio, sintonizando com as entidades elevadas, e sendo também considerado profeta;

de Dante, que demonstrou possuir superiores faculdades mediúnicas, graças às quais manteve permanente contato com os espíritos;

de Torquato Tasso, que, em contínuo intercâmbio espiritual e inspirado por Ariosto, aos dezoito anos compôs o seu Renaud, concluindo a célebre Jerusálem Libertada, que é a obra máxima da sua vida extraordinária...

E quantos outros, médiuns inspirados ou psicógrafos, audientes ou sonambúlicos, que se deixaram conduzir pelos guias da humanidade, a fim de apressarem a obra do progresso terrestre?!

Comunicações indiretas como insólitas hão despertado a consciência humana para a realidade espiritual do ser, a todos conclamando para a ação do bem, da justiça e do amor.


No mediunato, entretanto, o servidor atinge o seu momento supremo, deixando de manter a personalidade dominadora, para que o Cristo nele se manifeste e habite, conforme declarou o médium de Tarso, na sua doação total à causa da verdade: - “Já não sou eu o que vivo, mas é o Cristo que vive em mim.”


Sintomas de Mediunidade - Manoel Philomeno de Miranda




A mediunidade é faculdade inerente a todos os seres humanos, que um dia se apresentará ostensiva mais do que ocorre no presente momento histórico.

À medida que se aprimoram os sentidos sensoriais, favorecendo com mais amplo cabedal de apreensão do mundo objetivo, amplia-se a embrionária percepção extrafísica, ensejando o surgimento natural da mediunidade.

Não poucas vezes, é detectada por características especiais que podem ser confundidas com síndromes de algumas psicopatologias que, no passado, eram utilizadas para combater a sua existência.

Não obstante, graças aos notáveis esforços e estudos de Allan Kardec, bem como de uma plêiade de investigadores dos fenômenos paranormais, a mediunidade vem podendo ser observada e perfeitamente aceita com respeito, face aos abençoados contributos que faculta ao pensamento e ao comportamento moral, social e espiritual das criaturas.

Sutis ou vigorosos, alguns desses sintomas permanecem em determinadas ocasiões gerando mal-estar e dissabor, inquietação e transtorno depressivo, enquanto que, em outros momentos, surgem em forma de exaltação da personalidade, sensações desagradáveis no organismo, ou antipatias injustificáveis, animosidades mal disfarçadas, decorrência da assistência espiritual de que se é objeto.

Muitas enfermidades de diagnose difícil, pela variedade da sintomatologia, têm suas raízes em distúrbios da mediunidade de prova, isto é, aquela que se manifesta com a finalidade de convidar o Espírito a resgates aflitivos de comportamentos perversos ou doentios mantidos em existências passadas.

Por exemplo, na área física: dores no corpo, sem causa orgânica; cefalalgia periódica, sem razão biológica; problemas do sono - insônia, pesadelos, pavores noturnos com sudorese -; taquicardias, sem motivo justo; colapso periférico sem nenhuma disfunção circulatória, constituindo todos eles ou apenas alguns, perturbações defluentes de mediunidade em surgimento e com sintonia desequilibrada.

No comportamento psicológico, ainda apresentam-se: ansiedade, fobias variadas, perturbações emocionais, inquietação íntima, pessimismo, desconfianças generalizadas, sensações de presenças imateriais - sombras e vultos, vozes e toques - que surgem inesperadamente, tanto quanto desaparecem sem qualquer medicação, representando distúrbios mediúnicos inconscientes, que decorrem da captação de ondas mentais e vibrações que sincronizam com o perispírito do enfermo, procedentes de Entidades sofredoras ou vingadoras, atraídas pela necessidade de refazimento dos conflitos em que ambos - encarnado e desencarnado - se viram envolvidos.

Esses sintomas, geralmente pertencentes ao capítulo das obsessões simples, revelam presença de faculdade mediúnica em desdobramento, requerendo os cuidados pertinentes à sua educação e prática.

Nem todos os indivíduos, no entanto, que se apresentam com sintomas de tal porte, necessitam de exercer a faculdade de que são portadores. Após a conveniente terapia que é ensejada pelo estudo do Espiritismo e pela transformação moral do paciente, que se fazem indispensáveis ao equilíbrio pessoal, recuperam a harmonia física, emocional e psíquica, prosseguindo, no entanto, com outra visão da vida e diferente comportamento, para que não lhe aconteça nada pior, conforme elucidava Jesus após o atendimento e a recuperação daqueles que O buscavam e tinham o quadro de sofrimentos revertido.

Grande número, porém, de portadores de mediunidade, tem compromisso com a tarefa específica, que lhe exige conhecimento, exercício, abnegação, sentimento de amor e caridade, a fim de atrair os Espíritos Nobres, que se encarregarão de auxiliar a cada um na desincumbência do mister iluminativo.

Trabalhadores da última hora, novos profetas, transformando-se nos modernos obreiros do Senhor, estão comprometidos com o programa espiritual da modificação pessoal, assim como da sociedade, com vistas à Era do Espírito imortal que já se encontra com os seus alicerces fincados na consciência terrestre.

Quando, porém, os distúrbios permanecerem durante o tratamento espiritual, convém que seja levada em conta a psicoterapia consciente, através de especialistas próprios, com o fim de auxiliar o paciente-médium a realizar o autodescobrimento, liberando-se de conflitos e complexos perturbadores, que são decorrentes das experiências infelizes de ontem como de hoje.

O esforço pelo aprimoramento interior aliado à prática do bem, abre os espaços mentais à renovação psíquica, que se enriquece de valores otimistas e positivos que se encontram no bojo do Espiritismo, favorecendo a criatura humana com alegria de viver e de servir, ao tempo que a mesma adquire segurança pessoal e confiança irrestrita em Deus, avançando sem qualquer impedimento no rumo da própria harmonia.

Naturalmente, enquanto se está encarnado, o processo de crescimento espiritual ocorre por meio dos fatores que constituem a argamassa celular, sempre passível de enfermidades, de desconsertos, de problemas que fazem parte da psicosfera terrestre, face à condição evolutiva de cada qual.

A mediunidade, porém, exercida nobremente se torna uma bandeira cristã e humanitária, conduzindo mentes e corações ao porto de segurança e de paz.

A mediunidade, portanto, não é um transtorno do organismo. O seu desconhecimento, a falta de atendimento aos seus impositivos, geram distúrbios que podem ser evitados ou, quando se apresentam, receberem a conveniente orientação para que sejam corrigidos.

Tratando-se de uma faculdade que permite o intercâmbio entre os dois mundos - o físico e o ritual'>espiritual - proporciona a captação de energias cujo teor vibratório corresponde à qualidade moral daqueles que as emitem, assim como daqueloutros que as captam e as transformam em mensagens significativas.

Nesse capítulo, não poucas enfermidades se originam desse intercâmbio, quando procedem as vibrações de Entidades doentias ou perversas, que perturbam o sistema nervoso dos médiuns incipientes, produzindo distúrbios no sistema glandular e até mesmo afetando o imunológico, facultando campo para a instalação de bactérias e vírus destrutivos.

A correta educação das forças mediúnicas proporciona equilíbrio emocional e fisiológico, ensejando saúde integral ao seu portador.

É óbvio que não impedirá a manifestação dos fenômenos decorrentes da Lei de Causa e Efeito, de que necessita o Espírito no seu processo evolutivo, mas facultará a tranqüila condução dos mesmos sem danos para a existência, que prosseguirá em clima de harmonia e saudável, embora os acontecimentos impostos pela necessidade da evolução pessoal.

Cuidadosamente atendida, a mediunidade proporciona bem-estar físico e emocional, contribuindo para maior captação de energias revigorantes, que alçam a mente a regiões felizes e nobres, de onde se podem haurir conhecimentos e sentimentos inabituais, que aformoseiam o Espírito e o enriquecem de beleza e de paz.

Superados, portanto, os sintomas de apresentação da mediunidade, surgem as responsabilidades diante dos novos deveres que irão constituir o clima psíquico ditoso do indivíduo que, compreendendo a magnitude da ocorrência, crescerá interiormente no rumo do Bem e de Deus.

(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, no dia 10 de julho de 2000, em Paramirim, Bahia).
(Jornal Mundo Espírita de Março de 2001)



Mensagem aos Médiuns - Emmanuel / Chico Xavier




Venho exortar a quantos se entregaram na Terra à missão da mediunidade, afirmando-lhes que, ainda em vossa época, esse posto é o da renúncia, da abnegação e dos sacrifícios espontâneos. Faz-se mister que todos os Espíritos, vindos ao planeta com a incumbência de operar nos labores mediúnicos, compreendam a extensão dos seus sagrados deveres para a obtenção do êxito no seu elevado e nobilitante trabalho.

Médiuns! A vossa tarefa deve ser encarada como um santo sacerdócio; a vossa responsabilidade é grande, pela fração de certeza que vos foi outorgada, e muito se pedirá aos que muito receberam. Faz-se, portanto, necessário que busqueis cumprir, com severidade e nobreza, as vossas obrigações, mantendo a vossa consciência serena, se não quiserdes tombar na luta, o que seria crestar com as vossas próprias mãos as flores da esperança numa felicidade superior, que ainda não conseguimos alcançar! Pesai as consequências dos vossos mínimos atos, porquanto é preciso renuncieis à própria personalidade, aos desejos e aspirações de ordem material, para que a vossa felicidade se concretize.

Felizes daqueles que, saturados de boa-vontade e de fé, laboram devotadamente para que se espalhe no mundo a Boa Nova da imortalidade. Compreendendo a necessidade da renúncia e da dedicação, não repararam nas pedras e nos acúleos do caminho, encontrando nos recantos do seu mundo interior os tesouros do auxílio divino. Acendem nos corações a luz da crença e das esperanças, e se, na maioria das vezes, seguem pela estrada incompreendidos e desprezados, o Senhor enche com a luz do seu amor os vácuos abertos pelo mundo em suas almas, vácuos feitos de solidão e desamparo.

Infelizmente, a Terra ainda é o orbe da sombra e da lágrima, e toda tentativa que se faz pela difusão da verdade, todo trabalho para que a luz se esparja fartamente encontram a resistência e a reação das trevas que vos cercam. Dai nascem as tentações que vos assediam, e partem as ciladas em que muitos sucumbem, à falta da oração e da vigilância apregoadas no Evangelho.

QUEM SÃO OS MÉDIUNS NA SUA GENERALIDADE
Os médiuns, em sua generalidade, não são missionários na acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas, e que resgatam, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuro e delituoso. O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado de graves deslizes e de erros clamorosos. Quase sempre, são Espíritos que tombaram dos cumes sociais, pelos abusos do poder, da autoridade, da fortuna e da inteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favor do grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridade e da virtude. São almas arrependidas que procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável insânia.

AS OPORTUNIDADES DO SOFRIMENTO
As existências dos médiuns, em geral, têm constituído romances dolorosos, vidas de amargurosas dificuldades, em razão da necessidade do sofrimento reparador; suas estradas, no mundo, estão repletas de provações, de continências e desventuras. Faz-se, porém, necessário que reconheçam o ascetismo e o padecer, como belas oportunidades que a magnanimidade da Providência lhes oferece, para que restabeleçam a saúde dos seus organismos espirituais, combalidos nos excessos de vidas mal orientadas, nas quais se embriagaram à saciedade com os vinhos sinistros do vicio e do despotismo.

Humilhados e incompreendidos, faz-se mister que reconheçam todos os benefícios emanantes das dores que purificam e regeneram, trabalhando para que representem, de fato, o exemplo da abnegação e do desinteresse, reconquistando a felicidade perdida.

NECESSIDADE DA EXEMPLIFICAÇÃO

Todos os médiuns, para realizarem dignamente a tarefa a que foram chamados a desempenhar no planeta, necessitam identificar-se com o ideal de Jesus, buscando para alicerce de suas vidas o ensinamento evangélico, em sua divina pureza; a eficácia de sua ação depende do seu desprendimento e da sua caridade, necessitando compreender, em toda a amplitude, a verdade contida na afirmação do Mestre: “Dai de graça o que de graça receberdes.”

Devendo evitar, na sociedade, os ambientes nocivos e viciosos, podem perfeitamente cumprir seus deveres em qualquer posição social a que forem conduzidos, sendo uma de suas precípuas obrigações melhorar o seu meio ambiente com o exemplo mais puro de verdadeira assimilação da doutrina de que são pregoeiros.

Não deverão encarar a mediunidade como um dom ou como um privilégio, sim como bendita possibilidade de reparar seus erros de antanho, submetendo-se, dessa forma, com humildade, aos alvitres e conselhos da Verdade, cujo ensinamento está, frequentemente, numa inteligência iluminada que se nos dirige, mas que se encontra igualmente numa provação que, humilhando, esclarece ao mesmo tempo o espírito, enchendo-lhe o íntimo com as claridades da experiência.

O PROBLEMA DAS MISTIFICAÇÕES

O problema das mistificações não deve impressionar os que se entregam às tarefas mediúnicas, os quais devem trazer o Evangelho de Jesus no coração. Estais muito longe ainda de solucionar as incógnitas da ciência espírita, e se aos médiuns, às vezes, torna-se preciso semelhante prova, muitas vezes os acontecimentos dessa natureza são também provocados por muitos daqueles que se socorrem das suas possibilidades.

Tende o coração sempre puro. É com a fé, com a pureza de intenções, com o sentimento evangélico, que se podem vencer as arremetidas dos que se comprazem nas trevas persistentes. É preciso esquecer os investigadores cheios do espírito de mercantilismo!... Permanecei na fé, na esperança e na caridade em Jesus - Cristo, jamais olvidando que só pela exemplificação podereis vencer.

APELO AOS MÉDIUNS
Médiuns, ponderai as vossas obrigações sagradas! preferi viver na maior das provações a cairdes na estrada larga das tentações que vos atacam, insistentemente, em vossos pontos vulneráveis.

Recordai-vos de que é preciso vencer, se não quiserdes soterrar a vossa alma na escuridão dos séculos de dor expiatória. Aquele que se apresenta no Espaço como vencedor de si mesmo é maior que qualquer dos generais terrenos, exímio na estratégia e tino militares. O homem que se vence faz o seu corpo espiritual apto a ingressar em outras esferas e, enquanto não colaborardes pela obtenção desse organismo etéreo, através da virtude e do dever cumprido, não saireis do círculo doloroso das reencarnações.

Matéria extraída do livro Emmanuel, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier pelo espírito Emmanuel, editora FEB.

domingo, 5 de abril de 2015

Olhai os Lírios do Campo


. “ Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?” (Lucas 12:27-28) Esta é uma das citações mais conhecidas da Bíblia. Faz parte de um dos mais belos momentos vividos pelos discípulos na companhia de Jesus. A essência de seu discurso envolvia a questão da ansiedade das pessoas, já naquele tempo, com a sobrevivência, com o vestir, o ter, o exibir.


Na sua palavra, Jesus exortava os
presentes no sentido de não se
angustiarem tanto com as necessidades
do dia a dia. Muito sabiamente, Jesus já
preparava as pessoas daquele tempo –
e dos tempos atuais – a respeito da importância
de preservar sua qualidade de vida,
não permitindo a ocupação da mente com
pesos em excesso nem com uma configuração
de vida super avaliada nas coisas materiais.
Aliás, Jesus também deu uma certa
importância às demandas materiais de nossas vidas, deixando bem claro, porém, de
que nossa preocupação com essas coisas
deveria caminhar até um certo limite.
A partir daí.........


As palavras de Jesus lastreiam também uma afirmação de fé. No momento em que fez essa afirmação era verão na Palestina e nos campos, rigorosamente, não havia lírio algum. Jesus tencionava, assim, puxar pela mente das pessoas, fazendo-as lembrar de que, apesar da geografia árida, seca que elas tinham diante de si, existia sempre a perspectiva de um tempo de beleza, de fartura, de provisão. Ou por outra: mesmo quando a vida está em baixa, com predominância da dor, da incerteza, da amargura, existe sempre a perspectiva de surgir o outro lado da medalha.

E, através da fé, um novo tempo poderá
ser alcançado. À frente de Jesus as pessoas
estavam confusas. Como enxergar lírios belíssimos, de uma textura luxuriante,
em meio à secura de um período de verão?
Ou como enxergar uma
nova realidade de vida diante da
escravidão materializada na presença
do senhorio romano?


“ Olhai os lírios do campo!”
Ao fazer tal afirmativa, Jesus queria
enlarguecer nossa visão, ampliar nossos horizontes. 
Sabe-se que no campo existem armadilhas contra a vida.
 As aves de rapina, os répteis, os rigores do inverno,
o calor inclemente do verão. Os predadores,
os animais de grande porte, as ervas
daninhas.... Apesar disso tudo, os lírios
também surgem, emoldurando com
sua beleza uma nova realidade.


O problema é quando o campo –
em síntese, na ótica de Jesus,
uma alegoria da vida, do mundo –
é visualizado somente através das
grossas lentes do negativismo gratuito.
Apesar de todas as adversidades da vida,
há sempre a presença de algo belo a
ser visto, focalizado, priorizado. E que,
diante de um vastíssimo leque de sentimentos
que a vida nos impõe, tais como
o egoísmo, o individualismo, a soberba,
a arrogância, há sempre a chance
de cultivarmos o belo, o frutífero,
o substancial, o edificante.


Ao que tudo indica, a planta que Jesus
nomeou em seu discurso como lírio é hoje conhecida com o nome científico de
“ anemone coronária” (como indicado
na figura acima). Tinha uma haste de uns 40 centímetros e pétalas vermelhas, púrpuras, azuis, róseas ou brancas. Como se vê,
algo de uma beleza realmente estonteante
em meio à aridez do solo palestino.
Segundo relatos históricos era uma planta
de floração comum na região, florescendo
próxima ao tempo da colheita do feno. Devido
à sua beleza, já era usada em larga escala
na decoração dos ambientes requintados,
bem como nas casas simples dos
moradores do campo.


Era, por assim dizer, um referencial de
beleza, de nobreza, de excelência decorativa.
Uma planta que realmente fazia a diferença.
É nesse ponto que quero destacar o eixo
sobre o qual gira o ensinamento de Jesus.
Fazer a diferença. Priorizar sentimentos
nobres sobre o negrume dos valores
cultivados atualmente.

Há momentos na vida em que a mente
se fecha. O horizonte divisado vai somente
um pouco além das agruras do dia a dia.
O belo da vida se perde diante da feiúra
do contexto da existência. É preciso
romper essa linha divisória que demarca
a tristeza da alegria, a angústia da paz,
o caos da ordem, da serenidade, da esperança.
 Quando o campo da existência está
recheado de abutres, répteis e ervas daninhas,
é necessário se crer que, mesmo num
campo assim, a semente do lírio está lá,
latente, pronta a brotar – a se fazer presente.

A irradiar a vida com a variedade de
suas cores, a emergir bela, firme,
altaneira em meio à aridez da geografia
social da atualidade. “ Olhai os lírios do campo ”
é em sua essência uma receita inteligente
de vida. Ou por outra, uma concepção
ideal de vida para quem deseja enxergar
a realidade atual como algo mais do que
um mero passar de dias. Vai olhar?

Capítulo 24 A lâmpada sobre o velador



  • .
     A lâmpada sobre o velador


  • 2. Você já ouviu o ditado que “O que é bonito é pra se mostrar?” Na sua casa tem energia elétrica? A partir da energia elétrica, o que temos em nossa vida? E a luz solar, porque ela é importante? O que a luz solar nos proporciona? E ninguém, acendendo uma candeia, a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; mas põe-na no velador, para que os que entram vejam a luz. Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz. Lucas 8:16-17 Quando alguém acendia uma candeia era com o propósito de iluminar, razão porque Jesus afirma que não era prática alguém esconder a candeia, mas deixá-la visível em local que iluminasse a todo o ambiente. Temos aqui uma lição prática. Cristo é nossa Candeia, não devemos nos envergonhar do Evangelho, nossa vida deve refletir o Sol da Justiça Imagine que você se encontra com um grupo de amigos em oração no monte a noite, é prática as pessoas levarem lanternas para iluminar o caminho. Acontece que aquele que vai à frente vai iluminando o caminho para os demais, o que vem atrás faz a mesma coisa. Então, no plano espiritual, nós somos esta lâmpada que ilumina a vida das pessoas. O Evangelho tem o poder de trazer para a luz as coisas que estão ocultas, colocando em evidência os fatos. Isto vale para a igreja sadia, que ora, que tem propósito de crescimento sadio, pecados e transgressões não ficam encobertos, pois Deus revela e faz saber ao pastor da igreja a situação.

  • 3. O cristão não deve viver na sombra ou se abrigar na sombra de outros, ele tem ser a luz que irradia, que ilumina. Considere que você é um potente farol que está firmado em uma Rocha. Sua função é conduzir as embarcações de forma segura no mar escuro e bravo. O Mestre Jesus, com suas sublimes orientações, forneceu-nos meios para adquirirmos a luz e fazê-la brilhar. Quais atitudes fazem essa luz brilhar nas pessoas? Como você vem fazendo a SUA luz interior brilhar? Nesta Parábola contada por Jesus, podemos entender que a luz é necessária, tanto na vida material quanto na vida espiritual e todos aqueles que já possuem a luz do conhecimento espiritual não devem escondê-lo e nem negá-lo para os que ainda vivem na ignorância. Um dos ditados populares mais conhecidos é aquele que se refere a uma pessoa chata que é nominada de “mala sem alça”, isto devido à dificuldade de ser carregada. A vida do cristão tem de haver uma alça chamada “FÉ”, esta o conduz a pátria celestial, deixando-o firme, como vendo o invisível
  • 4. "Todo aquele que me confessar e reconhecer diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai. Que está nos Céus e o que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai." (MATEUS) "Porque se alguém se envergonhar de mim e de minhas palavras, também o filho do homem se envergonhará dele, quando vier na sua majestade e na de seu Pai e na dos santos anjos." (LUCAS) Nesse trecho, Jesus quis dizer que se você se envergonhar Dele, Ele também se envergonhará de você. É como se você sempre tivesse vergonha do seu time, mas um dia, você quer ir assistir o jogo do seu time no estádio, e os policiais te barrarem na porta. O mesmo acontece com a palavra de Deus. Temos que valorizar o que aprendemos senão não seremos valorizados para Deus. O sentido da frase “não se coloca a candeia sob o alqueire”, significa que, da mesma forma que a gente acende uma luz para iluminar o ambiente, aquele que conhece bem as leis divinas não deve guardá-las para si, mas divulgá-las através da palavra e, sobre tudo, do exemplo. Não espalhar os nossos conhecimentos espirituais é esconder egoisticamente a luz que poderia beneficiar a muitos. Verdade ou Mentira? Se Kardec, de posse dos conhecimentos do espiritismo, guardasse todo o conhecimento só pra ele, agiria ao contrário do que Jesus disse, sobre a luz estar na visão de todos. Verdade ou Mentira? Não é justo ter que espalhar o conhecimento pra todo mundo, porque muitos não sabem como usar o conhecimento e podem usar ele pro mal então é melhor evitar né?! Verdade ou Mentira?Devemos espalhar os conhecimentos que possuímos em beneficio de todos, pois a verdade não é para ser escondida de ninguém Verdade ou Mentira? A Campanha da Fraternidade Auta de Souza, a de Esclarecimento Humberto de Campos NÃO são formas de divulgar a luz do espiritismo! Verdade ou Mentira?

  • 5. Capítulo 25

  • 6. Quando os primeiros seres humanos viveram no planeta as coisas eram muito diferentes. O corpo físico do homem era muito primitivo. Os homens e mulheres das cavernas não sabiam falar, não tinham sentimentos como nós, não possuíam nenhuma tecnologia para ajudá-los a viver. Aos poucos foram aprendendo a usar o fogo e desenvolvendo uma linguagem de grunhidos e sinais para se comunicarem. Assim era a vida no início da civilização da Terra:

  • 7. A antiguidade – Aos poucos, os homens foram evoluindo. Deus nos deu a inteligência e o impulso à evolução, através de duas leis: lei do progresso e lei do trabalho. Na antiguidade, os homens já tinham aprendido a viver em sociedade, construir casas e cidades, e passaram a desenvolver o trabalho – quase sempre usando os próprios braços ou com o auxílio de animais. Nessa época, ainda não conhecíamos a eletricidade, os motores, as máquinas nem os carros. A medicina estava começando.

  • 8. 4) Aos poucos a humanidade, com muita dedicação, trabalho e auxílio da espiritualidade, passou a desenvolver os rudimentos da tecnologia. Jesus nos ensinou: “Ajuda-te e o Céu te ajudará”. Ao sentir o impulso de descobrir novas tecnologias para melhorar a qualidade de vida, o ser humano passou a se esforçar, e, com muito trabalho, dedicação, pesquisa e auxílio do plano espiritual através de intuições e sonhos, surgiram as primeiras grandes invenções: a eletricidade, os motores, os trens, carros, máquinas, telecomunicações. Assim era a vida entre 1800 e meados de 1900 no Brasil:
    9. Numere cada equipamento, conforme sua evolução

  • 10. Mas Jesus nos ensinou também que não devemos nos preocupar muito em juntar bens materiais, devemos nos ocupar em juntar bens que nos tornem ricos em paciência, em amor, em caridade. Essa riqueza sim, tem valor para Deus. Afinal, são esses que nos fazem verdadeiramente felizes. Vocês podem e devem lutar por uma vida melhor, estudando muito, e, quando for adulto, trabalhando com amor e honestidade. Não é errado trabalharmos para ter o nosso carrinho, nossa bicicleta, nosso videogame, nosso tablet, nosso computador...Viver de miséria também não é legal. Mas não podemos nos esquecer de trabalharmos o nosso coração através da religião, seja ela qual for, do trabalho social no bem Ajuda-te e o céu te ajudará Uma das características lamentáveis do ser humano, fruto de sua imaturidade, é a tendência ao acomodamento. Se algo não dá certo, impaca e pede ajuda de Deus, mas esquece que também deve fazer um esforcinho de sua parte! Não é Inspira uma interpretação equivocada da Lei de Causa e Efeito, que induz à inércia em situações difíceis. Não podemos deixar de correr em busca do que queremos e ficar só pedindo pra Deus nos ajudar, se não nos ajudarmos e irmos atrás, não será só Deus que nos ajudará

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