No Reino da Palavra...

- Não grite.
Não permita que o seu modo de falar se
transforme em agressão.

- Conserve a calma.
Ao falar, evite comentários ou imagens
contrárias ao bem.

- Evite a maledicência.
Trazer assuntos infelizes à conversação,
lamentando ocorrências que já se foram, é requisitar
a poeira de caminhos já superados,
complicando paisagens alheias.

- Abstenha-se de todo adjetivo desagradável
para pessoas, coisas e circunstâncias.
Atacar alguém será destruir hoje o nosso
provável benfeitor de amanhã.

- Use a imaginação sem excesso.
Não exageres sintomas ou deficiências
com os fracos ou doentes, porque isso viria
fazê-los mais doentes e mais fracos.

- Responda serenamente em toda questão difícil.
Na base da esperança e bondade,
não existe quem não possa ajudar conversando.

- Guarde uma frase sorridente e amiga para
toda situação inevitável.
Da mente aos lábios, temos um trajeto
controlável para as nossas manifestações.

- Fuja a comparações, a fim de que seu
verbo não venha a ferir.
Por isso, tão logo a idéia negativa nos alcance
a cabeça, arredemo-la, porque um pensamento
pode ser substituído, de imediato, no silêncio
do espírito, mas a palavra solta é sempre um
instrumento ativo em circulação.

Recorde que Jesus legou o Evangelho,
exemplificando, mas conversando também.
ANDRÉ LUIZ



Distribui sorrisos e palavras de amor aos irmãos algemados a
rudes provas como se os visses falando por teus lábios, e
atravessarás os dias de tristeza ou de angústia com a luz da
esperança no coração, caminhando, em rumo certo, para o
reencontro feliz com todos eles, nas bênçãos de Jesus, em plena
imortalidade.

(Emmanuel).

sábado, 3 de janeiro de 2015

Desafios são bençãos





Por que eu?

Desafios são bençãos...

As dificuldades sempre existem, são parte da vida.
E é bom que existam ou não haveria crescimento.
Dificuldades são desafios... elas o incitam a trabalhar, a pensar meios de sobrepujá-las.
O próprio esfôrço é essencial...
Assim, tome as dificuldades como bençãos, pois sem dificuldades não estaríamos em lugar nenhum.
Dificuldades maiores virão, e isso significa que a existência está cuidando de você, está lhe dando mais desafios...
E quanto mais você os soluciona, maiores desafios estarão esperando por você.
As dificuldades desaparecem no último momento, mas esse último momento só chega devido as dificuldades.
Assim, nunca tome negativamente qualquer dificuldade...descubra algo positivo nela.
Não se esqueça que, a mesma rocha que bloqueia o caminho,poderá funcionar como um degrau.
Se não houvesse uma rocha no caminho, você nunca se elevaria...
E o próprio processo de ir acima dela, tornando-a um degrau, dá-lhe uma nova altitude de ser.
Quando você pensa criativamente sobre a vida, tudo é útil e tudo é algo a lhe dar.
Nada é sem sentido...
Pense nisso!

Paz e Luz em seu coração!

(Osho)



O argumento justo



O argumento justo


À noite, em casa de Simão, transparecia um véu de tristeza na maioria dos semblantes.

Tadeu e André, atacados horas antes, nas margens do lago, por alguns malfeitores, viram-se constrangidos à reação apressada.

Não surgira consequência grave, mas sentiam-se ambos atormentados e irritadiços.

Quando Jesus começou a falar acerca da glória reservada aos bons, os dois discípulos deixaram transparecer, através do pranto discreto, a amargura que lhes dominava a alma e, não podendo conter-se, Tadeu clamou, aflito:

— Senhor, aspiro sinceramente a servir à Boa Nova; contudo, sou portador de um coração indisciplinado e ingrato. Ouço, contrito, as explanações do Evangelho; lá fora, porém, no trato com o mundo, não passo de um espírito renitente no mal. Lamento... lamento... mas como trabalhar em favor da Humanidade nestas condições?

Embargando-se-lhe a voz, adiantou-se André, alegando, choroso:

— Mestre, que será de mim? Ao seu lado, sou a ovelha obediente; entretanto, ao distanciar-me... basta uma palavra insignificante de incompreensão para desarmar-me. Reconheço-me incapaz de tolerar o insulto ou a pedrada. Será justo prosseguir, ensinando aos outros a prática do bem, imperfeito e mau qual me vejo?!...

Calando-se André, interferiu Pedro, considerando:

— Por minha vez, observo que não passo de mísero espírito endividado e inferior. Sou o pior de todos. Cada noite, ao me retirar para as orações habituais, espanto-me diante da coragem louca dentro da qual venho abraçando os atuais compromissos. Minha fragilidade é grande, meus débitos enormes. Como servir aos princípios sublimes do Novo Reino, se me encontro assim insuficiente e incompleto?

À palavra de Pedro, juntou-se a de Tiago, filho de Alfeu, que asseverou, abatido:

— Na intimidade de minha própria consciência, reparo quão longe me encontro da Boa Nova, verdadeiramente aplicada. Muita vez, depois de reconfortar-me ante as dissertações do Mestre, recolho-me ao quarto solitário, para sondar o abismo de minhas faltas. Há momentos em que pavorosas desilusões me tomam de improviso. Serei na realidade um discípulo sincero? Não estarei enganando o próximo? Tortura-me a incerteza... Quem sabe se não passo de reles mistificador? Outras vozes se fizeram ouvir no cenáculo, desalentadas e cheias de amargura.

Jesus, porém, após assinalar as opiniões ali enunciadas, entre o desânimo e o desapontamento, sorriu, tocado de bom-humor, e esclareceu:

— Em verdade, o paraíso que sonhamos ainda vem muito longe e não vejo aqui nenhum companheiro alado. A meu parecer, os anjos, na indumentária celeste, ainda não encontram domicílio no chão áspero e escuro em que pisamos. Somos aprendizes do bem, a caminho do Pai, e não devemos menoscabar a bendita oportunidade de crescer para Ele, no mesmo impulso da videira que se eleva para o céu, depois de nascer no obscuro seio da terra, alastrando-se compassiva, para transformar-se em vinho reconfortante, destinado à alegria de todos. Mas, se vocês se declaram fracos, devedores, endurecidos e maus e não são os primeiros a trabalhar para se fazerem fortes, redimidos, dedicados e bons em favor da obra geral de salvação, não me parece que os anjos devam descer da glória dos Cimos para substituir-nos no campo de lições da Terra.

O remédio, antes de tudo, se dirige ao doente, o ensino ao ignorante...

De outro modo, penso, a Boa Nova de Salvação se perderia por inadequada e inútil...

As lágrimas dos discípulos transformaram-se em intenso rubor, a irradiar-se da fisionomia de todos, e uma oração sentida do Amigo Divino imprimiu ponto final ao assunto.


pelo Espírito Neio Lúcio - Do Livro: Jesus no Lar, Médium: Francisco Cândido Xavier.







O espelho da vida




O espelho da vida



A mente é o espelho da vida em toda parte.

Ergue-se na Terra para Deus, sob a égide do Cristo, à feição do diamante bruto, que, arrancado ao ventre obscuro do solo, avança, com a orientação do lapidário, para a magnificência da luz.

Nos seres primitivos, aparece sob a ganga do instinto, nas almas humanas surge entre as ilusões que salteiam a inteligência, e revela-se nos Espíritos Aperfeiçoados por brilhante precioso a retratar a Glória Divina.

Estudando-a de nossa posição espiritual, confinados que nos achamos entre a animalidade e a angelitude, somos impelidos a interpretá-la como sendo o campo de nossa consciência desperta, na faixa evolutiva em que o conhecimento adquirido nos permite operar.

Definindo-a por espelho da vida, reconhecemos que o coração lhe é a face e que o cérebro é o centro de suas ondulações, gerando a força do pensamento que tudo move, criando e transformando, destruindo e refazendo para acrisolar e sublimar.

Em todos os domínios do Universo vibra, pois, a influência recíproca.

Tudo se desloca e renova sob os princípios de interdependência e repercussão.

O reflexo esboça a emotividade.
A emotividade plasma a ideia.
A ideia determina a atitude e a palavra que comandam as ações.

Em semelhantes manifestações alongam-se os fios geradores das causas de que nascem as circunstâncias, válvulas obliterativas ou alavancas libertadoras da existência.

Ninguém pode ultrapassar de improviso os recursos da própria mente, muito além do círculo de trabalho em que estagia; contudo, assinalamos, todos nós, os reflexos uns dos outros, dentro da nossa relativa capacidade de assimilação.

Ninguém permanece fora do movimento de permuta incessante.

Respiramos no mundo das imagens que projetamos e recebemos. Por elas, estacionamos sob a fascinação dos elementos que provisoriamente nos escravizam e, através delas, incorporamos o influxo renovador dos poderes que nos induzem à purificação e ao progresso.

O reflexo mental mora no alicerce da vida.

Refletem-se as criaturas, reciprocamente, na Criação que reflete os objetivos do Criador.



pelo Espírito Emmanuel

médium Francisco Cândido Xavier

livro Pensamento e Vida






sábado, 13 de dezembro de 2014

O Amor Que Presenteia




Informa o evangelista Mateus (2:1) que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. A tradição evangélica o situa como reis e os nomeia Belchior, Baltazar e Gaspar.

Guiados por uma estrela, vinham homenagear o mensageiro divino, que chegara pela porta da humildade, nascendo numa estrebaria. Iniciava a jornada ensinando que o caminho para Deus passa, necessariamente, pela simplicidade e o despojamento das vaidades humanas.

Traziam presentes: ouro, incenso e mirra.

Três símbolos: O ouro, a realeza de Jesus. O incenso, sua elevada espiritualidade. A mirra (usada para embalsamar cadáveres), o sacrifício da própria vida, a fim de nos mostrar os caminhos para Deus.

A iniciativa foi a base para que se estabelecesse, nos séculos que se sucederam ao advento do Cristianismo, a tradição de presentear no Natal. Infelizmente, desvirtuada pelos interesses comerciais, transformou-se em obrigação.

Não oferecer os indefectíveis mimos aos familiares é quase uma ofensa. Ninguém se sente feliz se não recebê-los, particularmente as crianças. O ideal seria lembrar o aniversariante. Se a missão de Jesus foi nos ensinar os caminhos do Amor, que tal, amigo leitor, oferecer-lhe três amorosos presentes, à semelhança dos magos, envolvendo empenho por seguir-lhe os passos?

O primeiro presente de amor: o bom ânimo. Evangelho significa boa nova. É maravilhosa a notícia transmitida por Jesus!

Deus, o Criador, o Senhor todo poderoso, é nosso pai de infinito amor e misericórdia, a trabalhar, incessantemente, pela felicidade de seus filhos. Com um paizão assim não há por que ter medos, dúvidas, angústias, tormentos…

Estamos desempregados? Deus nos ajudará a encontrar uma ocupação com que prover a subsistência.

Trazemos o coração partido pelo relacionamento afetivo que não deu certo? Se juntarmos os pedaços, dispostos a seguir em frente, Deus o restaurará com perfeição, sem marcas.

Estamos doentes? Conscientes da proteção divina enfrentaremos com serenidade o mal, reconhecendo as funções educativas da enfermidade, que depura e sensibiliza a alma.

Mesmo ante as perspectivas de constrangimentos dolorosos, impostos pela Vida, no desdobramento de nossas provações, o bom ânimo é valioso testemunho de confiança em nosso Pai Celeste. É tão estranho alguém que acredita em Deus estar na fossa, quanto se dizer torturado pela sede alguém a nadar num lago de águas cristalinas.

O segundo presente de amor: o bom humor.

Exprime-se na capacidade de cultivar o sorriso, mesmo em situações difíceis. Melhor se consegue rir de si mesmo. Quem o faz jamais será infeliz.

Um homem dotado dessa virtude enfrentou grave problema circulatório. Teve que amputar uma perna. Tempos depois, nova complicação. Foi-se a outra perna. Os familiares ficaram preocupados. Naquela situação constrangedora certamente ficaria pra baixo. Viram logo que infundados eram seus temores. Tão logo passou a anestesia e despertou, virou-se para o médico:

– Doutor, estou preocupado!

– Diga o que é. Estou aqui para ajudá-lo.

– Ah! Doutor, receio que nada poderá fazer.

– É tão grave assim?

– Muito! É que agora, sem as duas pernas, não sei em que pé ficou a situação!

Pessoas assim, dispostas a rir de si mesmas, da própria adversidade, jamais serão infelizes.

Jesus geralmente é apresentado com expressão compungida, torturada, sofredor nato. Nada mais equivocado. O bom humor é uma característica do espírito superior. Os Evangelistas, sempre sucintos nas narrativas, não desciam aos detalhes, imprimindo a alguns episódios uma solenidade que certamente não existiu.

Certa feita (Lucas, 9:51-56), transitando pela Samaria, o grupo não encontrou ninguém disposto a oferecer pousada. Imediatamente João e Tiago, chamados irmãos boanerges, filhos do trovão, por seu caráter impulsivo, perguntaram a Jesus se não poderiam evocar o fogo do céu, para queimar aqueles infiéis.

Que tipo de reação poderia ter Jesus, diante de tal disparate?

Certamente, deu boas risadas, antes de advertir, sorridente:

– Gente, que é isso! Vim para salvar os homens, não para queimá-los!

Noutra oportunidade (Mateus, 14:25-31), os discípulos atravessavam de barco, à noite, o Tiberíades. Em dado momento viram um vulto que se aproximava, deslizando sobre as águas.

Um fantasma! Ficaram apavorados.

Logo viram que era Jesus. Certamente o Mestre sorriu, ante o medo dos companheiros. Simão Pedro, afoitamente, dispôs-se a ir ao seu encontro.

– Vem, Simão.

E ele foi, deu alguns passos, vacilou e começou a afundar.

– Senhor, salva-me!.

Jesus deu-lhe a mão e o sustentou, rindo, sem dúvida.

– Ah! homem de pouca fé!

O terceiro presente de amor: a boa vontade.

Trata-se da vontade de ser bom, o empenho por fazer algo em favor do próximo. É fundamental! Segundo os anjos, que fizeram a proclamação celeste no nascimento de Jesus (Lucas, 2:14), somente com seu exercício haverá paz entre os homens.

Jesus foi a personificação da boa vontade, a começar pelo doloroso mergulho na carne. Governador de nosso planeta, Espírito puro e perfeito, poderia guardar-se nas alturas, enviando um embaixador. No entanto, fez questão de comparecer pessoalmente, submetendo-se a imensos sacrifícios.

Após uma existência de dedicação ao Bem, pregado no madeiro da infâmia, cercado de impropérios, continuou a exercitar a boa vontade, pedindo a Deus que perdoasse a todos. Não sabiam o que estavam fazendo.

Depois voltou, materializando-se diante do atônito colégio apostólico. Tinha muito a reclamar dos companheiros. Um deles o traíra, outro o negara três vezes, e todos haviam fugido no momento extremo, vergonhosamente. Mas o Mestre não tocou no assunto. Limitou-se a saudá-los como nos dias venturosos do passado, convocando-os à gloriosa tarefa de disseminação de seus princípios.

Exercitou, como sempre, a boa vontade.

Que sejam muito felizes seus Natais, amigo leitor.

Sempre plenos de bênçãos e também de reflexões em torno do bom ânimo, do bom humor e da boa vontade, três presentes que Jesus muito apreciará, oferecidos com amor.

Com nossas dádivas estaremos contribuindo pela edificação de um Mundo melhor.

Se o fizermos, certamente estaremos nele, desde agora!

Richard Simonetti

sábado, 1 de novembro de 2014

Desencarnados nas Trevas








DESENCARNADOS EM TREVAS 
Reunião pública de 18-9-61. 
1ª Parte, cap. VII, § 25. 



Desencarnados em trevas... 

Insulados no remorso... 

Detidos em amargas recordações... 

Jungidos à trama dos próprios pensamentos atormentados... 

*** 

Eram donos de palácios soberbos e sentem-se aferrolhados no estreito espaço do túmulo. 

Mostravam-se insensíveis, nos galarins do poder, e derramam o pranto horizontal dos 

caídos. 

Amontoavam haveres e agarram-se, agora, aos panos do esquife. 

Possuíam rebanhos e pradarias e jazem num fosso de poucos palmos. 

Despejavam fardos de dor nos ombros sangrentos dos semelhantes, e suportam, chorando, 

os mármores do sepulcro, a lhes partirem os ossos. 

Estagiavam ciência inútil e tremem perante o desconhecido. 

Devoravam prazeres e gemem a sós. 

Exibiam títulos destacados e soluçam no chão. 

Brilhavam em salões engrinaldados de fantasias e arrastam-se, estremunhados, ante as 

sombras da cova. 

Oprimiam os fracos e não sabem fugir à gula dos vermes. 

Eram campeões da beleza física, e procuram, debalde, esconder-se nas próprias cinzas. 

Repoltreavam-se em redes de ouro, e estiram-se, atarantados, entre caixas de pó. 

Emitiam discursos brilhantes e gaguejam agora. 

Deitavam sapiência e estão loucos. *** 

Nada disso, porém, acontece porque algo possuíssem, mas sim porque foram possuídos de 

paixões desregradas. 

Não se perturbam, porque algo tiveram, mas sim porque retiveram isso ou aquilo, sem ajudar 

a ninguém. 

Se podes verificar a tortura dos desencarnados em trevas, aproveita a lição. 

Não sofrerás pelo que tens, nem pelo que és. 

Todos colheremos o fruto dos próprios atos, no que temos e somos. 

Onde estiveres, pois, faze o bem que puderes, sem apego a ti mesmo. 

Escuta o companheiro que torna do Além, aflito e desorientado, e aprenderás, em silêncio, 

que todo egoísmo gera o culto da morte. 

Livro
Justiça Divina
Psicografado por Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel













Espíritas Diante da Morte





ESPÍRITAS DIANTE DA MORTE

Reunião pública de 25.9.61
1ª. Parte, cap. II, Item 10




Toda religião procura confortar os homens, ante a esfinge da morte.

A Doutrina Espírita não apenas consola, mas também alumia o raciocínio dos que indagam e

choram na grande separação.

***

Toda religião admite a sobrevivência.

A Doutrina Espírita não apenas patenteia a imortalidade da vida, mas também demonstra o

continuísmo da evolução do ser, em esferas diferentes da Terra.

***

Toda religião afirma que o mal será punido, para lá do sepulcro.

A Doutrina Espírita não apenas informa que todo delito exige resgate, mas também destaca

que o inferno é o remorso, na consciência culpada, cujo sofrimento cessa com a necessária

e justa reparação.

***

Toda religião ensina que a alma será expurgada de todo o erro, em regiões inferiores.

A Doutrina Espírita não apenas explica que a alma, depois da morte, se vê mergulhada nos

resultados das próprias ações infelizes, mas também esclarece que, na maioria dos casos, a

estação terminal do purgatório é mesmo a Terra, onde reencontramos as conseqüências de

nossas faltas, a fim de extingui-las, através da reencarnação.

***

Toda religião fala do Céu, como sendo estância de alegria perene.

A Doutrina Espírita não apenas mostra que o Céu existe, por felicidade suprema no Espírito

que sublimou a si mesmo, mas também elucida que os heróis da virtude não se imobilizam

em paraísos estanques, e que, por mais elevados, na hierarquia moral, volvem a socorrer os

irmãos da humanidade ainda situados na sombra.

*** Toda religião encarece o amparo da Providência Divina às almas necessitadas

A Doutrina Espírita não apenas confirma que o Amor infinito de Deus abraça todas as

criaturas, mas também adverte que todos receberemos, individualmente, aqui ou além, de

acordo com as nossas próprias obras.

Os espíritas, pois, realmente não podem temer a morte que lhes sobrevém, na pauta dos

desígnios superiores.

Para todos nós, a desencarnação em atendimento às ordenações da vida maior é o termo de

mais um dia de trabalho santificante, para que se ponham, de novo, a caminho do alvorecer. 

Livro: Justiça Divina - Psicografado pelo Francisco Cândido Xavier - Pelo Espírito Emmanuel


Nós Todos




NÓS TODOS 
Reunião pública de 15.9.61 
1ª. Parte, cap. VII, § 1º 



Espíritos imperfeitos! 

No círculo das paixões que se agitam na Terra, somos nós todos. 

*** 

Abriste a outrem o túnel da paciência e não te furtaste ao desespero, quando o tempo te 

trouxe o dia da prova. 

Receitaste heroísmo ao companheiro dilacerado e acolheste a revolta, quando te beliscaram 

a pele. 

Pregaste desinteresse aos que ajuntaram alguns vinténs e esqueceste os necessitados, 

quando a fortuna te procurou. 

Estranhaste o procedimento culposo dos vizinhos e resvalaste em mais baixo nível, na hora 

da tentação. 

Por isso mesmo, qual nos acontece, ao toque da verdade, tens a luz da esperança na dor da 

insatisfação. 

*** 

No entanto, apesar dos mais duros conflitos de consciência, prossegue indicando o bem. 

Exercício na escola é base do ensino. 

Aluno desanimado perde a lição. 

Fazendo luz para os outros, acabamos medindo a sombra que nos é própria. 

*** 

Não admitas que nós, os amigos desencarnados, estejamos como quem fala de palanque 

blindado, à praça indefesa. 

Obreiros da mesma obra, servimos em duas frentes. 

Choras pelos que viste partir. Choramos nós pelos que ficaram. 

Trabalhamos por ti, a cujo passo recorremos em nova reencarnação. 

Trabalhas por nós, que seremos teus filhos. 

*** 

Imperioso purificar-nos para o vôo supremo aos mundos felizes. 

Tanto aí quanto aqui, é preciso aprender, sofrendo, e subir, resgatando. 

Assim pois, diante do irmão caído no mal, compadece-te dele e ensina o bem, mesmo que o 

mal ainda te ensombre. 

A compaixão mostra o caminho da caridade e, sem caridade uns para com os outros, não há 

segurança para ninguém. 

Livro
Justiça Divina
Psicografado pelo Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel

Espíritos Transviados





ESPÍRITOS TRANSVIADOS

Reunião pública de 30.10.61
1ª. Parte, cap. VII, § 22


Caminham desfalecentes, embuçados na sombra, ainda que o sol resplenda em torno.

Sonâmbulos das paixões em que se desregravam, são cativos dos seus próprios reflexos

dominantes.

Por mais se lhes atraia a atenção para as esferas sublimes, encasulam-se nos interesses inferiores,

encarcerando na Terra as antenas da alma.

Aferrolhavam o coração no recinto estreito de burras preciosas e sentem-se, no esquife, como quem

se refestela em poltrona de ouro.

Empenhavam as forças, a tiranizarem multidões indefesas, manejando o verbo fácil, e deitam oratória

fulgente, no barranco em que se lhes guardam os restos, qual se ocupasse os primeiros lugares em

tribuna de honra.

Aniquilavam recursos, plasmando imagens viciosas, em nome do sentimento, e escrevem ou

gesticulam, na solidão, supondo transmitir emoções enfermiças a legiões de admiradores

imaginários.

Aprisionavam a mente, no egoísmo feroz, e tornam à paisagem doméstica, à maneira de loucos,

envolvendo os entes queridos em fluidos tentaculares.

Hipotecavam energias aos prazeres sensuais e choram agressivos, na clausura da cova, disputando

com os vermes a posse do corpo transformado em ruínas.

Empregavam as horas, ilaqueando a si mesmos, e vagueiam errantes, hipnotizados por inteligências

corrompidas com as quais se conjugam em delitos nas trevas.

***

Não acredites, porém, sejam eles doentes sem esperança.

O Criador não quer escravos na Criação.

Todos são livres para escolher os nossos caminhos.

Por isso, quase sempre, em sucessivas reencarnações, gastamos séculos no mal, a fim de entender

o bem.

E se a Lei te permite conhecer o suplício das consciências transviadas, pra lá do sepulcro, é para que

trabalhes em teu próprio favor.

Corrige em ti mesmo tudo aquilo que nos censuram outros.

Clareia-te por dentro.

Aprimora-te e serve.

Enquanto no corpo físico, desfrutas o poder de controlar o pensamento, aparentando o que deves

ser; no entanto, após a morte, eis que a vida é verdade, mostrando-te como és.

Livro: Justiça Divina - Psicografado pelo Francisco Cândido Xavier - Pelo Espírito Emmanuel


Céu




CÉU
Reunião pública de 24-4-61
1a. Parte, cap. III, item 18

Aflitiva e longa tem sido a nossa viagem multimilenária, através da reencarnação, a fim de

que venhamos a entender o conceito de céu.

Entre os chineses de épocas venerandas, afiançávamos que a imortalidade era a absoluta

integração com os antepassados.

Na Índia Bramânica, admitíamos que o éden fosse a condição privilegiada de alguns eleitos,

na pureza intocável dos cimos.

No Egito remoto, imaginávamos que a glória, na Esfera Espiritual, consistisse na intimidade

com os deuses particulares, ainda mesmo quando se mostrassem positivamente cruéis.

Na Grécia antiga, supúnhamos que a felicidade suprema, além da morte, brilhasse no trono

das honrarias domésticas.

Com gauleses e romanos, incas e astecas, possuíamos figurações especiais do paraíso e,

ainda ontem, acreditávamos que o céu fosse região deleitosa, em que Deus, teologicamente

transformado em caprichoso patriarca, vivesse condecorando os filhos oportunistas que

evidenciassem mais ampla inteligência, no campeonato da adulação.

De existência a existência, entretanto, aprendemos hoje que a vida se espraia, triunfante, em

todos os domínios universais do sem-fim; que a matéria assume estados diversos de fluidez

e condensação; que os mundos se multiplicam infinitamente no plano cósmico; que cada

espírito permanece em determinado momento evolutivo, e que, por isso, o céu, em essência,

é um estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um.

***

É por esse motivo que Allan Kardec pergunta e responde:

- <<Nessa imensidade ilimitada, onde está o Céu?

Em toda parte. Nenhum contorno especial lhe traça limites. Os mundos superiores são as

últimas estações do seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam.>>

E foi ainda, por essa mesma razão que, prevenindo-nos para compreender as realidades da

natureza, no grande porvir, ensinou-nos Jesus, claramente:

- <<O Reino de Deus, está dentro de vós.>>

Livro: Justiça Divina - Psicografado pelo Francisco Cândido Xavier - Pelo Espírito Emmanuel

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